Aniversário é celebrado em oração, na véspera do inicio de mais uma semana dos seminários

O Seminário Episcopal de Angra foi fundado a 9 de Novembro de 1862, na Igreja de S. Francisco em Angra, passando para o atual edifício já na década de 30 do século passado e, por isso, no sábado celebra 157 anos de existência.

“Este é um momento privilegiado porque damos início à Semana dos Seminários, que decorre de 10 a 17 de Novembro, com o tema `Cristo não pensa apenas naquilo que tu és mas naquilo que poderás chegar a ser´, inspirado na Exortação Apostólica Pós-Sinodal Christus Vivit que o Papa Francisco dirigiu aos jovens e a todo o Povo de Deus” afirma o reitor numa nota enviada ao Igreja Açores.

No próximo dia 9 de Novembro, realiza-se um almoço festivo e uma Vigília de Oração na Igreja do Raminho, na Ilha Terceira, pelas 20H30 .

“Queremos que esta semana seja de oração intensa pelos futuros sacerdotes, e também uma oportunidade para que as comunidades conheçam melhor e se unam à volta do Seminário” sublinha o Pe. Hélder Miranda Alexandre.

Dos dias 10 a 17 de Novembro, os alunos de Teologia vão em missão para as Ouvidorias de Faial, Pico, Vila Franca, Lagoa, Flores, Povoação, Capelas e Ponta Delgada. Levam consigo todos os materiais da Semana dos Seminários, propostos pela Comissão Episcopal para as Vocações e Ministérios, outros recursos, mas sobretudo o testemunho pessoal. Irão percorrer as paróquias, catequeses e escolas, e realizar trabalhos específicos com os grupos de jovens e outros movimentos.

O Seminário de Angra conta este ano com 23 seminaristas: 1 da Ilha das Flores, 1 da Ilha do Faial, 2 da Ilha do Pico, 2 da Ilha de São Jorge, 2 da Ilha Terceira e 15 da Ilha de São Miguel. No próximo dia 1 de Dezembro, os 6 finalistas serão ordenados diáconos e os 3 alunos do quinto ano serão instituídos no Ministérios de Leitores na Sé de Angra.

“É um privilégio e uma graça um número tão considerável” conclui o reitor.

O Seminário Episcopal de Angra foi inaugurado no dia 9 de Novembro de 1862 no Convento de S. Francisco de Angra, passados 328 anos da fundação da Diocese. Dava-se assim cumprimento à norma tridentina e ao desejo do clero quanto à fundação de um Seminário nesta Diocese.

No entanto, já um século antes D. Frei José da Avemaria, bispo de Angra, exigia que “sem a competente certidão de frequência, aproveitamento e capacidade dos pretendentes, não podiam ser admitidos às Ordens, neste bispado…”.

Volvidos 157 anos o Seminário Episcopal de Angra, formou diversas gerações de alunos. E, daqui saíram sete bispos e praticamente todos os sacerdotes açorianos. O reconhecimento do trabalho do Seminário foi de resto feito a nível nacional com a atribuição da Insignia da Ordem de Mérito pelo Presidente da República, para além da Medalha de Ouro do Município de Ponta Delgada e do Diploma de Reconhecimento, da Câmara de Angra do Heroísmo, aquando dos 150 anos.

Por outro lado, foi a principal e única escola de formação superior de centenas de homens, que influenciaram a cultura e a sociedade açorianas.

Antes da criação da Universidade dos Açores, esta era a única Instituição de ensino superior do Arquipélago.

À sombra do Seminário nasceu o Instituto Açoriano de Cultura, que promoveu as Semanas de Estudo dos Açores, um dos momentos mais altos de reflexão política, social, cultural e económica dos Açores e alguns dos fundadores da própria Universidade ensinaram no Seminário.

O esforço por uma formação de qualidade constitui, de resto, um dos distintivos desta Instituição.

A reafirmação permanente de que o Seminário é o “coração da diocese” encontrou sempre eco nos diferentes prelados. É assim com D. António de Sousa Braga e também já o é com o seu coadjutor, D. João Lavrador, que na primeira visita à diocese, depois da nomeação, fez questão de visitar a instituição e presidiu a uma missa na Capela de Nossa Senhora da Natividade.

Pendente  continua, no entanto, o reconhecimento curricular do plano de estudos do Seminário pela Universidade Católica portuguesa.