Um dia depois de ter terminado a Semana dos Seminários a “Casa Mimosa” está em festa. Ficam aqui os testemunhos de alguns dos seminaristas que atualmente frequentam o Seminário

O Seminário Episcopal de Angra completa hoje 158 anos de existência, justamente no dia seguinte ao encerramento da Semana de Oração pelos Seminários que este ano teve como inspiração  a frase evangélica “Jesus chamou os que queria e foram ter com Ele”.

Seis seminaristas de Angra foram desafiados pela Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios para darem o seu testemunho vocacional.

Entre o “chamamento” e a “vontade de servir Jesus” e consequente as comunidades, enriquecendo o mundo “com os valores do evangelho” quase todos estes jovens seminaristas lembraram que a primeira alavanca para ingressar num seminário é “não ter medo de arriscar”.

João Silva (6º ano)

“A caminhada de discernimento é agraciada por Deus que vai atuando… considero que este percurso é muito enriquecedor e nós somos convidados a apurar várias vertentes(…)”.

 

Gonçalo Brum (4º ano)

“Primeiro foi a negação; estou aqui a fazer um caminho para ver se é realmente isto que Jesus quer de mim(…) O maior desafio foi superar estas dificuldades; arriscar(…)O seminário não é uma casa onde se entra seminarista e se sai obrigatoriamente padre(…) devemos arriscar e discernir”(…).

Leonel Vieira (4º ano)

“A minha vocação nasceu no seio da família, da comunidade, nos grupos ligados à igreja, onde fui descobrindo o meu gosto por Jesus (…) O primeiro passo é abandonar todos os medos e confiar em Jesus(…)

 

Gonçalo Furtado (ano propedêutico)

“Vim para o seminário porque quero ser padre. A vocação nasce de um chamamento. O seminário é um tempo que temos para nos conhecermos e conhecermos Jesus e sabermos se é este o projecto que Deus tem para nós (…) Um padre tem quer ser uma pessoa boa: um padre é para a comunidade o que um pai deve ser para os filhos(…)”.

Afonso Silveira (ano propedêutico)

“Esta vocação surgiu desde que me sinto gente(…) Estive envolvido em vários movimentos e tudo isso serviu para me enriquecer e alimentar a minha disponibilidade para vir para o seminário(…) Quero ser padre para concretizar aquilo que vemos na ultima ceia (…) Ser sacerdote é servir de forma abnegada e total(…)”.

 

João Nunes (ano propedêutico)

“A vocação surgiu na JMJ da Polónia, na noite do encontro com o Papa… senti um chamamento e a partir daí foi uma caminhada que culminou com a entrada no seminário(…) Apesar de ser uma vocação tardia( depois dos 30), considero que não há idade para seguir o caminho;  nunca é tarde (…) é um caminho longo e difícil que dá os seus frutos(…)”.

 

Dia de aniversário: dia de festa, apesar da pandemia

O Seminário de Angra conta este ano com 18 seminaristas, 3 dos quais serão ordenados diáconos no próximo dia 8 de Dezembro.

O Seminário Episcopal de Angra foi inaugurado no dia 9 de Novembro de 1862 no Convento de S. Francisco de Angra, passados 328 anos da fundação da Diocese. Dava-se assim cumprimento à norma tridentina e ao desejo do clero quanto à fundação de um Seminário nesta Diocese.

No entanto, já um século antes D. Frei José da Avemaria, bispo de Angra, exigia que “sem a competente certidão de frequência, aproveitamento e capacidade dos pretendentes, não podiam ser admitidos às Ordens, neste bispado…”.

Volvidos 158 anos o Seminário Episcopal de Angra, formou diversas gerações de alunos. E, daqui saíram sete bispos e praticamente todos os sacerdotes açorianos. O reconhecimento do trabalho do Seminário foi de resto feito a nível nacional com a atribuição da Insignia da Ordem de Mérito pelo Presidente da República, para além da Medalha de Ouro do Município de Ponta Delgada e do Diploma de Reconhecimento, da Câmara de Angra do Heroísmo, por ocasião do 150º aniversário.

Por outro lado, foi a principal e única escola de formação superior de centenas de homens, que influenciaram a cultura e a sociedade açorianas.

Antes da criação da Universidade dos Açores, esta era a única Instituição de ensino superior do Arquipélago.

À sombra do Seminário nasceu o Instituto Açoriano de Cultura, que promoveu as Semanas de Estudo dos Açores, um dos momentos mais altos de reflexão política, social, cultural e económica dos Açores e alguns dos fundadores da própria Universidade ensinaram no Seminário.

O esforço por uma formação de qualidade constitui, de resto, um dos distintivos desta Instituição.

A reafirmação permanente de que o Seminário é o “coração da diocese” encontrou sempre eco nos diferentes prelados.

Este ano o Seminário conduziu à ordenação seis novos sacerdotes, o que em tempo de pandemia constituiu um enorme desafio. Também por decisão do bispo diocesano, a partir de agora, o Seminário será responsável pela formação permanente dos neo sacerdotes nos dois primeiros anos após a ordenação.

“Atendendo à realidade dos tempos de hoje, no domínio da cultura, da sociedade e da antropologia, a requerer uma formação permanente para bem se auscultar os Sinais dos Tempos”, explica D. João Lavrador no decreto que institui esta norma

O bispo de Angra quer preparar os sacerdotes para “uma eficaz evangelização do mundo de hoje” e “ficam obrigados a esta formação permanente” nos dois primeiros anos a contar da data da sua ordenação.

O bispo de Angra contextualiza a decisão “atendendo às disposições que a Nova Ratio Fundamentalis apresenta para o acompanhamento dos presbíteros recém-ordenados”, as “incessantes interpelações” dos documentos do Magistério da Igreja sobre as responsabilidades dos seminários no acompanhamento dos neo-sacerdotes, nos primeiros anos do seu “múnus pastoral”.

O Seminário Episcopal de Angra vai organizar esta formação académica, por trimestre letivo, que inclui aprofundamento teológico, eclesiológico, litúrgico e pastoral, e acompanhamento espiritual, uma semana, de segunda a sexta-feira, que pretende acompanhar os neo-sacerdotes e prepará-los melhor para a transição do seminário para a vida pastoral paroquial.

Pendente  continua, no entanto, o reconhecimento curricular do plano de estudos do Seminário pela Universidade Católica portuguesa.