Bispo de Angra presidiu à Missa da Ceia do Senhor, a primeira grande celebração do Tríduo Pascal, celebrada pelo segundo ano consecutivo sem o rito do Lava-Pés

D. João Lavrador incentivou esta noite, na Missa da Ceia do Senhor, celebrada na Sé de Angra, os cristãos açorianos a priorizarem a centralidade da Eucaristia e o serviço ao próximo como duas marcas da fidelidade da sua fé a Jesus.

“À semelhança dos Apóstolos, a Igreja através de todos os seus membros, os cristãos baptizados, é chamada a entrar na Ceia Pascal em atitude contemplativa, fiel aos gestos e exigências que vêm de Jesus de Nazaré e disposta a renovar o seu compromisso evangelizador” afirmou o bispo de Angra na homilia da primeira grande celebração do Tríduo Pascal.

O prelado insular alertou para o perigo de tornarmos os nossos gestos em meros atos sociais, sem “a densidade e profundidade da primeira hora”.

“Em tempos nos quais tantos banalizam a Eucaristia, sem o cuidado por criarem as condições para dela participarem, tornando-a em mero gesto social, colocando as suas opiniões e interesses pessoais em vez da profundidade das exigências do amor de Jesus Cristo, importa renovarmos em nós, numa conversão profunda, a fidelidade ao que vivemos”, afirmou ao frisar a importância da liturgia desta celebração como pórtico para uma atitude mais “pura e consciente” diante dos gestos de “amor” de Jesus.

A Missa da Ceia do Senhor que evoca a Ceia Pascal, na qual Jesus escandaliza a humanidade através das suas palavras e dos seus gestos, interpela cada um a viver a Eucaristia “com a mesma densidade e profundidade da primeira hora”.

Incentivando os cristãos a libertarem-se de “preconceitos, tradições e seguranças pessoais” e a deixarem-se “conduzir humildemente pela força do Espirito Santo”, apelou a uma maior sintonia entre a fé professada e a fé vivida, chamando a atenção para o gesto de Jesus na Última Ceia, quando lavou os pés aos discípulos.

“Lavar os pés uns aos outros é o convite a formar uma comunidade de comunhão e de serviço, é despojar-nos de nós e das nossas roupagens e revestirmo-nos do amor de Jesus Cristo que veio para servir e não para ser servido e é, sem dúvida, reconhecer que somos chamados a servir os mais débeis e excluídos da sociedade”, afirmou ainda.

“Quando nos referimos à fidelidade vivencial é daqui que devemos partir e é a esta exigência que devemos atender. De facto, necessitamos de nos deixar purificar, transformar, converter e receber o banho da regeneração que Jesus proporciona através da nossa imersão no Seu Mistério Pascal”, sublinhou.

“Para isso, tomemos consciência da centralidade da Eucaristia na vida cristã; dos dinamismos comunitários que dela brotam, como a comunhão, a participação activa de todos os cristãos e o ímpeto missionário que se traduz na tarefa que incumbe a cada baptizado, membro de uma comunidade cristã, de assumir a missão evangelizadora da Igreja”

“Esta é a hora de vivermos a nossa fé de maneira consciente e activa e não como meros espectadores do que se passa na Igreja e no mundo” e concluiu: “Fixando o nosso olhar e o nosso coração, a nossa inteligência e mobilizando a nossa vontade, apreendamos o dinamismo profundo do mistério que estamos a celebrar e as suas exigências para a nossa vida de discípulos”.

“Não tenhamos medo de entrar na Ceia Pascal para a qual somos convidados”, disse ainda.

Esta noite ainda haverá uma Vigília de Oração entre as 21h00 e as 22h00 na Sé. Amanhã, as celebrações da Sexta-Feira Santa, que marcam a Paixão de Cristo, começam com a oração de Laudes e às 15h00, decorrerá a celebração da Paixão, com a adoração comunitária da Cruz.

No Sábado, dia alitúrgico, a celebração central é a Vigília Pascal que tem inicio às 21h30 e será transmitida pela RTP Açores, a partir da Sé de Angra.

(Foto de Hugo Silva)