Empresária e Vice-provedora da Santa Casa da Misericórdia da Maia deixa “Palavras que abrem caminho” esta quinta feira

A Igreja tem de ser capaz de fazer dos jovens os novos cristãos mas para isso deve ser mais “uma Igreja de humor, de amor e de perdão” do que uma igreja penitencial e censurante, afirma Madalena Motta.

A empresária micaelense, vice-provedora da Santa Casa da Misericórdia da Maia, na ilha de São Miguel, é uma “civil” ativa e comprometida na ajuda ao próximo.

“Nós não estamos a conseguir fazer dos jovens novos cristãos e era tão fácil: sairmos, sermos próximos, através do testemunho e da simplicidade” que o “amor e o perdão nos ensinam”, refere numa conversa franca da nova rubrica do Sítio Igreja Açores “Palavras que abrem caminho”.

“Aprendi, com a minha catequista, o caminho para o Céu a partir de uma cruz”, mas, hoje, “precisamos de uma Igreja com humor, com referências, com padres que nos tocam cá dentro e sejam  figuras que nos espantam e nos causam admiração” afirma.

“Estamos a esquecer-nos de admirar o outro: o que tem de diferente e essa diferença é tão boa”, refere ainda sublinhando o trabalho “admirável” que os cristãos podem fazer.

A viver entre duas realidades distintas, entre a Ribeira Grande e os Fenais da Luz, território que abrange duas ouvidorias distintas, mas com problemas sociais muito similares, a empresária Madalena Motta afirma que esta pandemia veio agravar ainda mais os problemas já existentes.

“Vejo que as pessoas estão muito revoltadas e frustradas:  os negócios acabaram, muita gente perdeu o emprego; a falta de sonhos tona-nos agressivos e revoltados”, destaca dizendo que o exemplo não chega.

“O que vemos nos desabafos das redes sociais e nos debates políticos é o insulto e isso não é um bom testemunho”, lamenta.

“Custa-me muito os sonhos interrompidos. Nos Fenais da Luz e na Ribeira Funda muitos miúdos têm os sonhos interrompidos… Ali não passa um autocarro que os traga para outros lugares” refere em jeito de metáfora para o caminho da vida.

“Os seus sonhos não passam daquele buraco; a igreja tem procurado desenvolver trabalho, mas é uma constante pandemia” alerta lembrando que “se calhar ainda não se conseguiu a proximidade necessária”.

“Talvez tenhamos que virar o discurso do avesso e fazer com que as pessoas mudem a sua vida”.

Maria Madalena Hintze de Ataíde Motta é formada em Artes, mas desde há uns anos que trabalha, na Ribeira Grande, como empresária do setor da Indústria e do Turismo.

Formada na Fundação Ricardo Espírito Santo Silva em Lisboa, Madalena Mota trabalhou em restauro no Palácio de Santana e deu aulas no Centro Profissional das Capelas.

Aos 35 anos dedicou-se de corpo e alma ao negócio de família, a Fabrica de Chá da Gorreana, que se tornou uma referência em termos de inovação, produção diversificada e oferta turística de qualidade.

É vice-presidente da Banda Filarmónica da Maia, da Associação Musical Lira do Espírito Santo da Maia e vice-provedora da Santa Casa da Misericórdia da Maia.