“Tu és a poesia”, disse o Santo Padre a Tolentino Mendonça encorajando-o na sua missão na Igreja

O consistório deste fim de semana, durante o qual Tolentino Mendonça foi criado cardeal foi marcado por gestos e sinais simbólicos que renovam a esperança.

Deste Consistório, além da homilia do Papa a pedir aos cardeais que abram o coração à misericórdia e sejam eles próprios portas de misericórdia para os fieis, ficam outros sinais interessantes.

Desde logo a cruz peitoral do novo cardeal checo.O padre  Michael Czerny, um jesuíta nascido na antiga Checoslováquia, atual subsecretário da Secção dos Migrantes e Refugiados no Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, usou simbolicamente uma cruz de madeira oriunda de um barco usado para atravessar o Mediterrâneo, por migrantes, rumo a Lampedusa.

Deste consistório fica ainda o abraço prolongado de D.António Marto a D. José Tolentino Mendonça, ele que já tinha sido co-ordenante na cerimónia de ordenação do prelado madeirense, em Lisboa, há um ano. O bispo de Leiria Fátima e o Bibliotecário e Arquivista da Santa Sé são duas escolhas pessoais do Papa para o Colégio Cardinalício, fora de um contexto institucional.

Finalmente as palavras ditas pelo Santo Padre a D. José Tolentino: “Quando [o Papa] se abeirou de mim, eu disse-lhe baixinho: ‘Santo Padre, o que é que me fez?’ E ele riu-se e disse: ‘Olha, a ti eu digo aquilo que um poeta disse, ‘tu és a poesia’.” O curto diálogo foi contado aos jornalistas pelo próprio José Tolentino Mendonça, o novo cardeal português, investido sábado, na função de conselheiro do Papa.

“Foram palavras que eu guardo no meu coração, no fundo para dizer uma coisa essencial, que a Igreja conta com uma determinada sensibilidade, uma atenção a um determinado campo humano, que é o campo da cultura, das artes, da estética”, afirmou, antes de receber centenas e centenas de pessoas para o cumprimentar, entre amigos, clérigos, bispos, diplomatas ou políticos (entre os quais, a ministra da Justiça, Francisca Van Dunen, em representação do Estado português).

“O Santo Padre considera que esse campo [da poesia] é também importante para a missão da Igreja e para aquilo que ela hoje é chamada a ser no mundo contemporâneo”, acrescentou, ainda em referência ao diálogo que teve com o Papa antes do início do consistório.