Se há dois anos todos ficámos perplexos com o anúncio da renúncia do Papa Bento XVI, mais perplexos ficámos com a eleição do Cardeal Bergoglio, Arcebispo de Buenos Aires, na Argentina, em plena América Latina.

Tenhamos presente que este homem que tomou um nome nunca antes usado pelos seus 265 antecessores, inspirado num dos mais conhecidos e amados santos da Igreja (São Francisco de Assis), é o primeiro Papa nascido no continente americano, o primeiro pontífice não europeu há mais de 1200 anos e o primeiro jesuíta que se tornou sucessor de Pedro.

Este homem, quase desconhecido para a maioria dos católicos, ao aparecer pela primeira vez na varanda da Basílica de São Pedro, rapidamente tocou o coração dos fiéis quando pediu ao povo para invocar a bênção de Deus sobre o seu Bispo.

Desde esse feliz dia da sua eleição, o Papa Francisco não nos deixa de surpreender, tornando-se um verdadeiro “aggiornamento” para a Igreja.

A sua forma de ser, simples e humilde, os seus gestos de ternura e carinho para com crianças, deficientes, idosos e doentes e a sua palavra que é facilmente compreendida é imensamente profunda. Tudo isto contagiou crentes e não crentes, dentro e fora da Igreja.

O Papa Francisco veio trazer um novo fulgor à Igreja. Hoje o rosto da Igreja está diferente. Hoje a Igreja é mais respeitada e amada.

Ao olharmos para estes dois anos do Papa Francisco temos que forçosamente ter em conta a exortação apostólica “A alegria do evangelho”, que mais do que uma exortação pós-sinodal, é um autêntico programa pastoral para o seu pontificado, onde o Papa Argentino, apresenta qual deverá ser o verdadeiro sentir e agir desta Igreja de Jesus Cristo, sempre moldada pela alegria do evangelho.

Termos a possibilidade de todos os dias refletirmos nas palavras do Papa através da homilia diária da capela da casa de Santa Marta é outra das novidades deste pontificado, que o torna como o pároco do mundo, como alguém já o classificou. O pároco é aquele que está perto e no meio das suas ovelhas e é assim que o Papa Francisco se quer sentir.

A sua preocupação pela eficácia dos serviços da cúria romana, levaram-no a estabelecer outra novidade, o “famoso” grupo de cardeais, que o ajudam na restruturação da mesma e no governo da Igreja.

Já em vários momentos o Papa Francisco não teve receio de chamar à atenção dos eclesiásticos, bispos e padres, para a sua atitude como autênticos pastores ao serviço do rebanho, apontando até mesmo as suas tentações e pecados, tal como no célebre discurso do início deste ano, em que apontou os quinze pecados da cúria romana, que são os pecados de todas as cúrias, de todas as paróquias e de toda a Igreja.

O Papa Francisco é o melhor dom que o Espírito Santo poderia ofertar à Sua Igreja neste início do século XXI. Ele é um verdadeiro “aggiornamento” para a Igreja de hoje.

Estávamos a precisar de um Papa como Francisco. Saibamos agradecer a Deus e rezemos por ele.

 

Pe. Marco Martinho, ouvidor eclesiástico do Pico