Por Monsenhor José Medeiros Constância

A palavra sinodalidade hoje não é uma questão de moda. Não é uma invenção recente na Igreja. Ela vem das origens da Igreja, teve sempre as suas expressões nos Sínodos e foi uma redescoberta do Concilio Vaticano da Igreja – Povo de Deus.

O Papa Francisco fez da palavra Sinodalidade, do conceito que ela encerra e do caminho que ela indica, o cerne do seu construir eclesial nestes oito anos em que é Bispo de Roma e Pastor da Comunhão Universal da Igreja.

O momento mais forte da sinodalidade na Igreja atual é o caminho agora traçado pelo Papa para a Igreja até 2023, quando se realizar o Sínodo sobre Sinodalidade.

Após a fase diocesana (nas dioceses de todos o mundo), a fase continental (em todos os Continentes), haverá a grande Assembleia Sinodal em Roma  sobre «Sinodalidade: comunhão, participação e missão», naquilo que traduzirá um certo ponto de chegada e sobretudo de partida.

Ninguém terá dúvidas de que está a ser difícil a compreensão e a vivência da sinodalidade como «caminhar juntos» na Igreja em todo o mundo, e também em Portugal. Somos pouco `comunionais´ e de trabalho orgânico!

A nossa Diocese, que começou há dois anos a sua caminhada tem encontrado muitas dificuldades (entre as quais o “nevoeiro” da pandemia) e também uma falta de compreensão do que é, teórica e praticamente, a sinodalidade. Necessitamos de um grande aprofundamento e reciclagem sobre este tema, a começar por nós padres, para que a sinodalidade ao alcance de todos faça a comunhão, a participação e a missão eclesial nos nossos Açores hoje.

Entre as obras recentes sobre Sinodalidade apareceu, em Maio de 2020, um livro em espanhol,  belíssimo, intitulado: “Inteligencia pastoral en clave de Sinodalidad” cujo autor é um Bispo de origem espanhola, Raúl Berzosa Martinez, e foi editado pelo Centro de Pastoral Litúrgica de Barcelona.

No pórtico o livro apresenta a frase de São João Crisóstomo no comentário ao Salmo 149, 1 afirmando: “A Igreja encontra-se sempre em estado sinodal porque o Sínodo é o nome da Igreja”.

Este belo livro tem cinco capítulos: o primeiro é: Ponto de partida; de que fala o Papa Francisco, quando fala de Sinodalidade?; o segundo um Intermédio: algumas questões sinodais que devem ser aprofundadas; terceiro o Paradigma hermenêutico: o documento da Comissão Teológica(2018); o quarto atualizar e contextualizar a sinodalidade numa Igreja particular; e o quinto Vinho novo em odres novos.

A todos nós, que de alma e coração, queremos construir uma igreja segundo o Evangelho, no mundo, e que queremos que a sinodalidade seja o grande estilo da nossa Diocese, nestes catorze anos que faltam para os seus 500 anos de fundação, descubramos conhecendo, estudando e aplicando a sinodalidade entre nós.

*O monsenhor José Medeiros Constância é ouvidor de Ponta Delgada, Presidente do Instituto Católico de Cultura e membro da Comissão Diocesana da Caminhada Sinodal e colaborador regular do Sítio Igreja Açores.