Por Renato Moura

Anunciou-se que a União Europeia quer proibir a maioria dos plásticos de utilização única, referindo-se especificamente cotonetes, palhinhas e colherzinhas de café. Parecerá ridículo que a preocupação incida nestas aparentes minudências. Mas se uma palhinha não incomoda ninguém, quem as terá somado diz que em Portugal, só num ano, se consumirão um milhar de milhões de palhinhas… e essas já incomodam muita gente!

Está já em vigor legislação que impede a distribuição gratuita de sacos de plásticos nos pontos de venda. Diz-se que a taxa sobre os sacos de plástico leve resultou numa redução drástica do consumo.

Mas, na verdade, o saco não descartável, que agora levamos para transportar os produtos, traz lá dentro um peso – esse sim enorme – de plástico, pois que a grande maioria do que se adquire vem embalada em plástico consistente; previnem-se as gramas e acumulam-se os quilos!

Será que para os legisladores é importante manter que os guardanapos de papel sejam vendidos em embalagens de plástico? Ou o mesmo quanto a folhas de simples papel ou envelopes? Ou preservar em embalagens de plástico o papel higiénico que acabará tendo um fim pouco nobre?!

Dir-me-ão que se tem de começar por algum lado e que muitos poucos fazem muito.

Há iniciativas interessantes. Outro dia mostraram-me palhinhas em papel forte, individualmente embaladas em papel, que foram fornecidas a um estabelecimento hoteleiro em troca das de plástico, isto no desenvolvimento de programa governamental em prol do ambiente; e muito bem. E o que dizer de o conjunto de palhinhas ser fornecido em embalagem de plástico?! E de a placa identificativa de adesão ao programa, destinada a afixação, ser também em plástico?!

Certo é que, olhando para o argueiro sem ver a trave, com mais ou menos ridículos, a luta pela defesa do meio ambiente é urgente. Tem de ser enaltecida, tomada a sério e devidamente estruturada. Sabe-se que o plástico está espalhado por toda a parte e demorará séculos a ser absorvido. Claro que se exige um compromisso colectivo, que é dos governantes, da indústria que deve inovar, mas que é também de cada um de nós, na mudança de hábitos e cumprimento rigoroso das regras de reciclagem.

Terminamos com o sábio conselho do Papa: “Não podemos permitir que os mares e os oceanos se preencham com extensões inertes de plástico flutuante. Também para essa emergência somos chamados a nos comprometer, com uma mentalidade activa, rezando como se tudo dependesse da Providência divina e agindo como se tudo dependesse de nós”.