Por Renato Moura

Só há seis freguesias em Portugal com menos de 150 eleitores e cinco delas são na Ilha das Flores. Este dado permite fazer uma ideia sobre o grau de despovoamento que, por estas bandas, cresce no nosso mundo rural.

Quem percorrer essas freguesias e até algumas outras, ficará naturalmente desgostoso ao ver tantas casas abandonadas, imensas degradadas, muitas já em ruínas. Os terrenos no interior das freguesias ou nas suas imediações, que outrora foram de cultivo, são hoje pastagem e algumas destas, por prolongado descuido, começam a transformar-se em mato. Muitas dessas casas poderiam ser recuperadas para habitação permanente, ou para o agora tão vulgarizado Alojamento Local. Os terrenos tinham condições excelentes para a produção de alimentos destinados ao consumo da população e como matéria-prima para confecção nos restaurantes que servem os turistas (dormidas no período Janeiro/Setembro de 2016 para 2017 aumentaram 26,9%). Reduziam-se exportações, diminuíam-se dependências e acrescentava-se valor.

Acabaram de tomar posse os órgãos das autarquias, dos quais se espera missão para servir, em vez de se comprazerem. Haveria que olhar para as questões, não só a recuperação do património habitacional e produtivo, mas tudo o que vise promover um desenvolvimento económico compatível com a realidade actual, articulado com as adequadas respostas sociais promotoras da fixação e aumento da população. Não basta avaliar o fosso actual, é necessário definir objectivos, indispensável traçar o rumo e trabalhar muito, tudo em diálogo com instituições, empresários e cidadãos. O fim das freguesias rurais não se evita com merendários, parques de estacionamento, jardins, ou uns caminhitos.

E não falta gente para pensar e trabalhar. Logo depois do caso típico do Corvo, Lajes das Flores é o concelho com menos população. Tem, além do Presidente, dois vereadores a tempo inteiro e gabinetes de apoio. Um vereador afecto para cada 750 habitantes. Ponta Delgada – o maior concelho dos Açores – tem quatro vereadores afectos (na proporção das Lajes seriam 91); um vereador para uns 17000 habitantes.

Na realidade de pouco serve desgastarmo-nos com o custo dos políticos e dos gabinetes, mesmo num concelho que vituperou, urbi et orbi, o seu terrível endividamento. O que importaria era que os eleitores exigissem, em toda esta ilha (e em toda a parte), que os seus políticos demonstrassem à saciedade, que os custos de administração, nos concelhos e freguesias, justificam o benefício em prol do povo.

Enquanto é tempo.