Por Carmo Rodeia

Não sendo uma conhecedora do movimento carismático, é-me particularmente fácil reconhecer o trabalho desenvolvido pela Eternal World Television Network (EWTN), nos Estados Unidos, a favor da evangelização e da expansão do cristianismo na América, em particular nos Estados Unidos. Esse mérito deve-se essencialmente a uma mulher, a madre Angelica, que fundou o maior grupo católico de rádio e televisão, com um impacto absolutamente incalculável.

“A fé é o que te faz começar; a esperança é o que te faz continuar, o amor é o que te leva até ao limite”, repetia incessantemente como lema de vida.

Neste domingo de Páscoa, quando todos celebrávamos o Senhor ressuscitado, Maria Angélica da Anunciação era chamada à casa do Pai.

Em 1981, a Ir. Angélica deu início ao canal de televisão EWTN, que hoje transmite 24 horas por dia, para mais de 258 milhões de lares, em 144 países. O empreendimento que começou com cerca de 20 funcionários hoje tem mais de 400. A rede oferece transmissões de rádio e televisão ao longo do mundo, em inglês e espanhol, opera um catálogo de material católico e encarrega-se da publicação do jornal impresso National Catholic Register, além de chefiar as agências de notícias do grupo ACI incluindo a agência de notícias digital.

Em 2009, recebeu do Papa Bento XVI o mais alto reconhecimento que pode ser outorgado por serviços à Igreja – a medalha Pro Ecclesia et Pontifice. Também o Papa João Paulo II era seu admirador e o Papa Francisco, durante o voo entre Cuba e o México em fevereiro, pediu “que reze por mim. Deus a abençoe madre Angélica.”

Sempre personificou e sempre personificará a EWTN, a rede de comunicações que Deus pediu que ela fundasse. Fiel a Deus, como sempre se anunciou, a Madre Angelica conseguiu aquilo que a maioria dos bispos católicos não conseguiu.

Fundou e expandiu uma rede que fala de uma forma simples aos católicos simples; entendeu as suas necessidades e alimentou as suas almas. É óbvio que não o fez sozinha mas foi o seu carisma que trabalhou o resto.

Nasceu Rita Antoinette Francis Rizzo no seio de uma família pobre e problemática. Com 21 anos juntou-se à ordem das Clarissas Pobres, em Cleveland, e em 1960 fundou o Mosteiro de Nossa Senhora dos Anjos, em Irondale, Alabama. Foi aí que lançou o ETWN, que viria a tornar-se na maior cadeia de evangelização do mundo.

O estilo enérgico e direto e as suas opiniões conquistaram-lhe uma legião de admiradores, mas também de críticos. Se, por um lado, os seus discursos diretos e transparentes agradavam a milhões de seguidores, por outro os mais conservadores apontavam-lhe “falta de sofisticação intelectual”.

Sempre se confessou testemunha do Evangelho, dentro da lealdade ao Vaticano. Com uma personalidade forte e determinada foi uma referência para os media de inspiração cristã, fortalecidos pela firme vontade de servir Deus, sem qualquer receio de fracassar porque confiava no seu sim, a verdadeira locomotiva da sua vida.

A sua contribuição de longo prazo é difícil de ser medida, obviamente, mas não há dúvida de que a Madre Angélica ajudou a enraizar mais profundamente a tradição católica na Igreja nos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, ajudou a Igreja a inovar no método de transmitir a tradição. É isso que se pede a quem trabalha a comunicação da Igreja. Mas porque, por vezes, é difícil fazê-lo nunca é demais sublinhar quem, de uma forma simples e assertiva, o fez… e bem!