Por Renato Moura

A nova encíclica “Fratelli Tutti” está à consideração do mundo. O Papa instiga, inspirado em S. Francisco de Assis “uma forma de vida com sabor a Evangelho”.

Reúne intervenções sobre fraternidade e amizade. Preocupado com os grandes desafios do nosso tempo, com humildade, entrega-a como “contribuição para a reflexão” e destinada ao diálogo com todas as pessoas de boa vontade “independentemente das suas convicções religiosas”.

É dever partilhar o conteúdo da encíclica; e reflectir. A extensão e profundidade impedem aqui uma abordagem total. Levam-me a pôr em comum aspectos que mais me sensibilizaram, ou estão relacionados com escritos ou palavras partilhadas em público, como recentemente foi uma referência à escravatura do tempo presente, impeditiva da liberdade.

Diz-nos o nosso Papa: “Hoje como ontem, na raiz da escravatura, está uma concepção da pessoa humana que admite a possibilidade de a tratar como um objecto. (…) Com a força, o engano, a coação física ou psicológica, a pessoa humana – ciada à imagem e semelhança de Deus – é privada de liberdade, mercantilizada, reduzida à propriedade de alguém; é tratada como meio e não como fim” [24]. E ainda: “hoje pretende-se reduzir as pessoas a indivíduos facilmente manipuláveis por poderes que visam interesses ilegítimos” [182].

Ou estoutra: uma das formas de dignificação do ser humano é o trabalho e todos, mesmo aqueles com direito a ajudas financeiras do Estado, deveriam contribuir de acordo com as suas possibilidades de esforço. O trabalho sério e empenhado, ainda que em programas de ocupação temporária, tem de ser um factor essencial de valorização da pessoa e de garantia da futura inserção no emprego.

Francisco considera ser verdadeiramente popular promover o bem do povo e como grande questão o trabalho, pois “é garantir a todos a possibilidade de fazer germinar as sementes que Deus colocou em cada um, as suas capacidades, a sua iniciativa, as suas forças. Esta é a melhor ajuda para um pobre, o melhor caminho para uma existência digna [162]”.  E insiste vincando: “Ajudar os pobres com o dinheiro deve ser sempre um remédio provisório para enfrentar emergências. O verdadeiro objectivo deveria ser sempre consentir-lhes uma vida digna através do trabalho” [162] (daqui o título para esta partilha). Afirma também: “não se pode enfrentar o escândalo da pobreza promovendo estratégias de contenção que só tranquilizam e transformam os pobres em seres domesticados e inofensivos” [187].

A seu tempo o destaque das reflexões sobre a política.