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Daqui a cinquenta anos seremos nós os derrubados

Pelo Padre José Júlio Rocha

Como será o mundo em 2070, daqui a cinquenta anos? Nunca o futuro foi tão imprevisível, dada a velocidade dos acontecimentos. Essencialmente por duas razões: a política e o ambiente. A política porque os grandes líderes mundiais não estão apensar no futuro. As democracias podem ter os dias contados e os poderes, que se estão a tornar mais autoritários, podem levar a mudanças devastadoras na geopolítica mundial. Não é impossível que guerras e guerrilhas se disseminem e possam derivar num conflito mundial que faça regressar as civilizações a uma idade das trevas. O ambiente porque, todos nós sabemos, as consequências do esgotamento dos recursos da Terra, o aquecimento global e a destruição dos oceanos não auguram nada de bom para a vida dos nossos netos e bisnetos.

Em 2070, se calhar, olharão para nós com um desdém com que nós nunca olhámos para eras passadas. O futuro que lhes estamos a oferecer é abundantemente perigoso. Presumo que, nessa altura, os mais radicais derrubarão as estátuas dos heróis que nós hoje erigimos. E é aí que eu quero chegar: ao derrube das estátuas.

A escravatura é uma das nódoas mais negras da civilização ocidental. Não só foi – e é – um atentado brutal contra a dignidade humana como abriu feridas entre povos que deixaram cicatrizes que nunca mais se apagarão. E é justo que assim seja. Podemos dizer sempre que não temos a culpa, que não é justo pagarmos pelos crimes dos nossos antepassados, mas há uma dívida impagável que nós, civilização ocidental e rica, teremos sempre, custe o que custar, uma vez que a nossa prosperidade teve como pilar, durante séculos, o trabalho escravo e nós, portugueses, muito lucrámos com o execrável negócio de negros africanos.

Como lidar então com essa mancha? Aprendendo com a História e não destruindo a História. E dando o débito à História, isto é, pondo-nos no lugar deles. Se lá estivéssemos, com as condicionantes sociais, políticas, culturais e religiosas daquelas épocas, o que acharíamos da escravatura, da Inquisição, da tortura ou da homossexualidade? De alguma forma, convenhamos, somos um produto da cultura em que vivemos. Daqui a cinquenta anos, se o mundo seguir os trilhos que está a seguir, vão olhar-nos, como disse, com um desprezo magnânimo. Como é que a humanidade tratava, no longínquo ano de 2020, um pobre rapaz que nasceu num ambiente desfavorável, de violência, violação e crime, que nunca teve a oportunidade de uma educação normal, uma única oportunidade de ser feliz, e que vai parar ao mundo da droga e do roubo? Metem-no na cadeia, na desumana cadeia onde só aprenderá a ser mais infeliz e mais perfeitamente criminoso. E, nalguns lugares, a solução é a pena de morte. Não acharão, os nossos futuros, que esta é uma espécie de escravatura?

Os radicais irredutíveis de 2070 derrubarão estátuas de papas que não aceitavam o casamento de homossexuais, de políticos que não tiveram uma palavra a dizer sobre a emergência ambiental, de poetas que não defendiam o poliamor ou de sociólogos que defendiam a família. Ou será o contrário, uma era mais rigorosa vai gerar radicais que derrubam estátuas dos heróis da democracia e dos direitos humanos, da literatura não politicamente correta ou das revoluções históricas?

Concordo que há gente, muita gente e muito importante, que não deve ter uma estátua. Pensemos, por exemplo, em Hitler. Mas esse foi um criminoso mesmo segundo os padrões éticos do seu tempo, tal como Estaline e outros. Agora, António Vieira? Um visionário do século XVII que lutou, num meio adverso, contra a exploração dos índios e contra a perseguição aos judeus? Misericórdia!

Bem sei que são uns poucos, muito poucos esses radicais que querem fazer tábua rasa da História e limpar a memória, como se isso não fosse precisamente a emenda pior do que o soneto. Mas essas ações têm efeitos nefastos. E o efeito mais nefasto é criar uma onda de indignação que vai engrossar as fileiras do extremismo contrário, o de direita, que é, sem dúvida, o que está a crescer mais perigosamente.

Oxalá que, daqui a cinquenta anos, se riam de nós. E não chorem por nossa causa.

*Este texto foi publicado na edição desta sexta-feira do Diário Insular, na rubrica Rua do Palácio.
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