D. Armando Esteves Domingues presidiu hoje à celebração do Dia da Cáritas em São Miguel, no culminar de uma semana marcada por várias iniciativas: o lançamento do Movimento Comunidades Vivas e a homenagem a Monsenhor Weber Machado

O bispo de Angra afirmou esta manhã que a Cáritas representa “o nome que a Igreja dá ao amor de Jesus pelo seu próximo”, sublinhando que a missão da instituição vai além da ajuda material e procura transformar vidas através da dignidade, da integração e do amor. A afirmação foi feita durante a celebração do Dia da Cáritas, no encerramento da Semana Cáritas, na Igreja da Relva, em São Miguel.
Depois de uma semana marcada pelo peditório de Rua e por várias iniciativas em diferentes ilhas- uma fgala no faial, o lançamento do Movimento Comunidades Vivasm, na terceira e a homenagem a Monsenhor Weber Machado primeiro diretor diocesano da Cáritas- o prelado recordou que um dos mais longos diálogos relatados nos Evangelhos ocorre entre Jesus e uma mulher, a samaritana e inspirando-se nas leituras bíblicas do dia, observou que há “gritos fáceis de ouvir”, como os provocados por guerras ou por catástrofes naturais, que mobilizam rapidamente a solidariedade. Contudo, afirmou que o Evangelho apresenta uma sede mais profunda.
Referindo-se ao encontro de Jesus com a mulher samaritana junto ao poço, destacou que Deus “faz-se mendigo da nossa atenção e do nosso amor”, pedindo: “Dá-me de beber”. Segundo D. Armando Esteves Domingues Jesus não condena a mulher, mas entra na sua verdade e revela-lhe uma sede interior que nenhuma realidade material consegue saciar: a necessidade de ser amada e de se sentir inteira.
Para ilustrar a diferença entre assistência superficial e verdadeira transformação, contou uma história humorística sobre um sem-abrigo chamado Santiago, que alternava entre momentos de aparente conversão e o regresso à vida na rua. O episódio, explicou, questiona as certezas fáceis e recorda que a mudança autêntica exige que a graça de Deus toque a verdade profunda de cada pessoa.
O bispo de Angra sublinhou que Jesus não transforma a samaritana numa simples “assistida”, mas numa protagonista. Depois do encontro, ela regressa à cidade e anuncia aos outros aquilo que viveu, tornando-se testemunha do Messias. Este exemplo, disse, inspira o trabalho da Cáritas, que procura não apenas ajudar, mas capacitar as pessoas para recuperarem a dignidade e o seu lugar na comunidade.
Na mesma linha, recordou experiências de transformação social e espiritual, como iniciativas de apoio a pessoas marginalizadas que se tornaram protagonistas e líderes em movimentos de renovação humana e cristã.
O bispo de Angra afirmou, ainda, que o lema “O amor que transforma”, escolhido para este encerramento da Semana Cáritas, resume a missão da instituição: um amor inspirado no próprio amor de Jesus, capaz de transformar a indiferença em proximidade e de promover a dignidade de cada pessoa.
“A Cáritas é precisamente o nome que a Igreja dá ao amor que brota do coração de Cristo”, afirmou, apelando a que todos respondam ao pedido de Jesus – “Dá-me de beber” – oferecendo tempo, atenção, bens e coração aos mais necessitados.
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