Igreja de São José enche-se para celebrar o Dia Diocesano do Doente e encerrar a semana do seu padroeiro

“Estais hoje na primeira linha das prioridades da Igreja diocesana e se não estiverdes ainda, tenhamos esperança que possam estar,  porque é aí o vosso lugar”- Bispo de Angra

Foto: Sacramento da Santa unção/IA/CR

 

A Igreja de São José acolheu hoje a celebração do Dia Diocesano do Doente e D. Armando Esteves Domingues desafiou a Igreja a trazer sempre no coração e “na primeira linha das prioridades os doentes e os mais frágeis”.

“Estais hoje na primeira linha das prioridades da Igreja diocesana e se não estiverdes ainda, tenhamos esperança que podeis estar, porque é aí o vosso lugar” afirmou o bispo de Angra na homilia da Missa a que presidiu, que marcou simultaneamente o encerramento da Semana de São José, uma tradição antiga que o Conselho Pastoral paroquial decidiu recuperar e que se pautou ao longo dos últimos dias com uma série de iniciativas que envolveram os movimentos e serviços paroquiais.

A Eucaristia reuniu numerosos fiéis, com destaque para a presença de doentes da enfermaria de retaguarda da Santa Casa da Misericórdia e do Lar Luís Soares de Sousa, num ambiente de grande comunhão e proximidade. A igreja encontrava-se repleta, contando ainda com a participação de dois sacerdotes mais velhos que celebraram também o sacramento da Santa Unção que o  prelado diocesano  e o pároco, padre Duarte Melo, ministraram aos vários fieis. Foi, aliás, um dos momentos mais significativos da celebração num gesto de consolo e esperança cristã.

Na homilia, o Bispo de Angra centrou a sua reflexão na compaixão de Cristo, recordando episódios como a morte de Lázaro, onde Jesus chora com as irmãs e revela a esperança na vida eterna. Destacou que a fé permite enfrentar as tormentas da vida com confiança e que “feliz é quem acredita e dá testemunho”, apontando para a certeza da ressurreição.

Denunciando as realidades de esquecimento, injustiça e indiferença perante os que sofrem, o prelado alertou que a Igreja é chamada a ser uma presença concreta junto dos mais frágeis. Sublinhou ainda que Jesus nunca recusou estar próximo de quem precisava, deixando um exemplo claro de prioridade no cuidado aos doentes e aos pobres.

“Hoje há um clamor contra o esquecimento, a injustiça, a omissão e a indiferença perante os que sofrem.  Se todas essas pessoas não souberem que nós nos compadecemos e o nosso coração as tem como prioridade nunca acreditarão na nossas palavras nem na nossa esmola,  afirmou o bispo de Angra.

Já o coordenador do Conselho Pastoral, Francisco Almeida Medeiros, na sua intervenção, destacou que “trazemos ao coração desta celebração os doentes, os idosos e todos os que sofrem”, sublinhando que a Igreja de São Jose é sempre uma “casa aberta, com ternura, que não deixa ninguém para trás”. Sublinhou também que uma paróquia “vive quando as pessoas se comprometem”, valorizando o papel do voluntariado e dos leigos, cuja dedicação silenciosa sustenta a missão da comunidade.

A celebração evocou ainda a figura de São José, que o bispo de Angra apelidou de “guardião das fragilidades”, homem de gestos discretos e de amor fiel, exemplo para as famílias e modelo de cuidado e proteção.

Num tempo marcado por divisões e desafios sociais, foi deixado um apelo à maior proximidade, à integração entre fé e cultura e a um compromisso renovado com os mais vulneráveis. A mensagem foi clara: reforçar a presença, a proximidade e o espírito de família no acompanhamento de todos, em especial os que mais sofrem. O bispo de Angra acrescentou ainda, no final, que São José é o exemplo de uma paróquia que dá espaço aos leigos e comprometida com o diálogo entre a fé e a cultura.

“Fé e razão são duas asas com as quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade”, afirmou D. Armando Esteves Domingues lembrando que só neste caminho conjunto “a Igreja sai reforçada” e “é o próprio homem que se torna mais inteiro; é a própria humanidade que poderá acreditar numa única família humana, unida e fraterna, acolhedora e plural, onde o faminto, o sem roupa e sem casa, o preso, o estrangeiro e refugiado sejam os primeiros a ter lugar à nossa mesa.”.

“Sem este caminho de integração continuará a barbárie das guerras, da destruição e desagregação dos povos e culturas”, concluiu.

A semana de São José, que contou com exposições, conferências e momentos litúrgicos, terminou este domingo com um almoço comunitário no Salão paroquial que também foi inaugurado depois de uma intervenção profunda.

Scroll to Top