
A embaixadora da Ucrânia em Lisboa, Maryna Mykhailenko, reafirmou hoje o desejo firme do seu país por uma paz “justa e sustentável”, durante uma visita ao Santuário do Senhor Santo Cristo, nos Açores, no âmbito de uma deslocação oficial à região, a onde foi recebida pelo reitor, cónego Manuel Carlos Alves.
Num momento marcado pela emoção e espiritualidade, a diplomata, que viveu alguns anos em Roma e conheceu de perto a espiritualidade da Igreja Católica, nomeadamente dos Franciscanos que estiveram nos Açores desde a primeira hora do povoamento, destacou a profunda religiosidade do povo ucraniano e sublinhou a importância da fé em tempos de guerra.
“Os ucranianos são muito religiosos e, por isso, a oração tem um significado especial para nós. Pedimos que continuem a rezar pelo nosso povo. Não nos esqueçam”, apelou.
Maryna Mykhailenko recordou ainda o apoio espiritual que tem sido manifestado pelo Papa Leão XIV, à semelhança do Papa Francisco, referindo que ambos têm procurado acompanhar o sofrimento dos ucranianos.
“Eles têm estado sempre presentes nas suas orações e esforços para ajudar o nosso povo”, afirmou.
A embaixadora foi clara ao reforçar a posição da Ucrânia face ao conflito: “A Ucrânia quer definitivamente a paz. Não desejámos a guerra nem a começámos. O que precisamos é de uma paz justa e duradoura”. Acrescentou ainda que o país continua a lutar “pela liberdade e pela sua maneira de viver”, algo que considera inseparável da identidade nacional.
Demonstrando esperança, garantiu que o seu país fará tudo o que estiver ao seu alcance para alcançar esse objetivo: “Acreditamos numa paz justa e trabalharemos incansavelmente para a conseguir”.
Durante a visita, foi também referida a a proximidade dos Ucranianos à Igreja Católica Portuguesa, nomeadamente a Fátima a onde anualmente realizam uma grande peregrinação, que acontece já no próximo domingo.
Os Santuários são espaços simbólicos de fé e de consolo para quem vive longe da sua terra natal, reconheceu ainda a embaixador.
A deslocação da embaixadora aos Açores insere-se num conjunto de iniciativas destinadas a reforçar os laços institucionais e a sensibilizar para a realidade vivida pela Ucrânia, num momento em que o país continua a enfrentar os desafios impostos pela guerra.
A Região Autónoma dos Açores acolheu, segundo o Governo regional, 70 ucranianos desde o início da guerra.