Sínodo: Novo relatório apela à escuta de minorias e integração dos pobres na vida da Igreja

Foto: Agência ECCLESIA/OC

A Secretaria-Geral do Sínodo publicou hoje um relatório que exige uma escuta eclesial dos grupos marginalizados e minorias, alertando que muitas destas populações continuam a ser ignoradas.

“O Sínodo constatou que as mulheres, os povos indígenas, os dalits, os jovens, as pessoas com deficiência, as vítimas de discriminação de classe ou de casta e de racismo, as pessoas LGBTQIA+, os empobrecidos e outros grupos marginalizados continuam a pedir para serem ouvidos”, refere o documento final do Grupo de Estudo n.º 2, focado no “clamor dos pobres e da terra”, divulgado online.

Entre as ferramentas propostas, o relatório avança com a recomendação da criação de um Observatório Eclesial sobre a Deficiência, sugerido por um subgrupo composto maioritariamente por pessoas com deficiência, como “modelo replicável à escala local e regional para dar voz a todos os grupos marginalizados”.

O Grupo de Estudo identificou algumas limitações que condicionaram seu trabalho, entre elas a “exclusão intencional de temas como a escuta digital e as questões LGBTQIA+”.

O relatório, com 43 páginas, sugere que a Secretaria-Geral do Sínodo “reúna e crie recursos para a escuta e hospede um Centro de Recursos Online para aprender a escutar e desenvolver capacidades de escuta, incluindo a oferta de exemplos contínuos de boas práticas.”

O grupo de especialistas rejeita que o cuidado com os mais frágeis seja delegado em estruturas específicas, nas comunidades católicas, e sublinha que o verdadeiro acolhimento das periferias exige literacia e ferramentas de análise estrutural.

“Que a formação para a escuta seja acompanhada de análise social, particularmente análise de género e cultural, compreendendo os abusos que podem ocorrer nos sistemas culturais, religiosos e políticos, e aprendendo sobre formas estruturais de resposta”, recomenda o documento.

O relatório detalha a urgência de dar voz a populações concretas e historicamente silenciadas, pedindo que “as experiências das mulheres sejam ouvidas”.

Segundo o documento, a transformação pastoral não se resolve apenas com a criação de novos organismos, exigindo antes uma conversão de atitudes e o contacto presencial com quem sofre.

“A sinodalidade convida-nos a passar de ter meios de escuta a tornar-nos um meio de escuta ao serviço da missão de Deus”, pode ler-se.

No plano da aplicação prática, o grupo de estudo propõe que a Igreja descentralize o seu pensamento, envolvendo teólogos oriundos de contextos de pobreza, e pede um escrutínio real das práticas de formação nos seminários e nas dioceses.

“Que os percursos de implementação das dioceses avaliem o impacto das experiências de encontro, educação e integração durante a formação e para além dela, em todos os locais de ministério nas Igrejas locais”, indicam os especialistas.

Os grupos de estudo foram instituídos por mandato do Papa Francisco, no início de 2024, no período que mediou as duas sessões da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, sobre o tema da sinodalidade.

A decisão confiou a peritos de todos os continentes uma série de questões com implicações teológicas, pastorais e jurídicas complexas, para um maior aprofundamento.

Leão XIV determinou que estes relatórios finais sejam tornados públicos de forma progressiva, numa iniciativa que se iniciou a 3 de março.

(Com Ecclesia)

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