
O presidente da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais, da Igreja Católica em Portugal, repudiou o uso de discursos violentos e de manipulação no espaço mediático, apelando à qualificação do debate público.
“A Igreja se quer ser, e quer, sal da terra e luz do mundo, não pode ser meia-luz, sombra, de alguma maneira, ou ser veneno na conversa”, defendeu D. Alexandre Palma, em entrevista à Agência ECCLESIA.
O bispo auxiliar de Lisboa alertou para a degradação das relações nas plataformas digitais, pedindo a distinção entre a firmeza das convicções e a agressividade na forma “muito histriónica, muito violenta, nalguns casos”, de as comunicar.
A “manipulação” do auditório através da distorção de dados foi apontada pelo responsável católico como uma tática de imposição que anula a verdadeira mediação humana.
“Uma coisa é defender com clareza e assertividade um ponto de vista. Outra coisa é esconder, camuflar ou adulterar determinados dados para reforçar o meu ponto de vista e, de alguma maneira, dar um simulacro de verdade a quem me escuta”, sublinhou.
Perante a aceleração tecnológica que privilegia emoções rápidas em detrimento da reflexão, o presidente da Comissão Episcopal que acompanha o setor dos media considerou que o Evangelho oferece um caminho alternativo ao imediatismo dos algoritmos sociais.
“É preciso, dentro das comunidades crentes, como a Igreja, que esse contraste não seja oposição. É tempo, é sal, é fermento, é luz, é semente”, precisou D. Alexandre Palma.
A conversa abordou ainda a “externalização” do processo de aprendizagem para a inteligência artificial, apontada como um risco para a preservação do pensamento crítico e da memória.
“O grande risco é de vivermos um simulacro de realidade, nas suas múltiplas exceções”, observou, alertando para o facto de a tecnologia assentar na premissa de “a máquina imitar o humano” e expor a sociedade ao risco de “o humano imitar a máquina”.
A reflexão surge no contexto do 60.º Dia Mundial das Comunicações Sociais (17 de maio), cujo tema deste ano é ‘Preservar vozes e rostos humanos’.
“A tecnologia que explora a nossa necessidade de relacionamento pode não só ter consequências dolorosas para o destino dos indivíduos, mas também prejudicar o tecido social, cultural e político das sociedades”, adverte Leão XIV.
(Com Ecclesia)