A cidade da Horta prepara-se para viver, no próximo domingo, o dia principal da mais antiga e maior festa religiosa da ilha do Faial, uma celebração que ultrapassa há muito a dimensão paroquial e mobiliza milhares de pessoas de várias ilhas, em especial do Pico, para um fim de semana marcado pela fé

As festividades em honra de Nossa Senhora das Angústias decorrem desde dia 9 e têm como ponto alto a missa solene e procissão do próximo domingo, dia 17, reunindo clero, filarmónicas, grupos culturais e fiéis numa das manifestações religiosas mais emblemáticas do grupo central da Diocese de Angra.
O septenário teve início a 9 de maio, contando nos primeiros três dias com a presidência e pregação do pároco da paróquia e ouvidor da ilha, padre Marco Martinho. No dia 12 de maio, a celebração foi presidida pelo cónego Adriano Borges, com pregação do padre José Borges. Desde 13 de maio, as celebrações são presididas e pregadas pelo padre Jacob Vasconcelos.
Ao longo da semana, diferentes grupos e instituições participam de forma mais ativa nas cerimónias religiosas, envolvendo toda a comunidade da ilha.
O programa prossegue esta sexta-feira com confissões às 18h00, terço às 18h30 e missa do septenário às 19h00, com participação da Paróquia da Matriz. A animação cultural contará com atuação da Filarmónica Artista Faialense, do grupo folclórico A.J.A. Baile – Chamarritas e baile com o conjunto Onda Musical.
No sábado, a Missa Votiva de Nossa Senhora das Angústias contará com a participação dos Bombeiros Voluntários da Horta, seguindo-se atuações da Filarmónica União Faialense, do grupo Amigos das Angústias e animação musical com um Dj, mais orientado para o público jovem, que participa ativamente nestas festas. O dia inclui ainda a tradicional regata de botes baleeiros, um dos momentos mais aguardados das festas.
O domingo será o ponto culminante das celebrações. O terço está marcado para as 15h30, seguindo-se, às 16h00, a Missa Solene da Festa, com participação da Filarmónica União Faialense e do Grupo Coral Mater Dei. Depois do desfile de filarmónicas, realiza-se às 18h00 a solene procissão em honra de Nossa Senhora das Angústias, que contará com a presença do clero do Faial e também da ilha do Pico.
Apesar de nascer no seio de uma paróquia, a Festa de Nossa Senhora das Angústias assume hoje uma dimensão interilhas, sendo considerada uma das maiores manifestações religiosas do grupo central, sobretudo envolvendo as ilhas do Pico e do Faial. A forte ligação à ilha do Pico é visível todos os anos na elevada participação de peregrinos e visitantes, ao ponto de a Atlânticoline assegurar carreiras especiais marítimas durante o fim de semana para permitir a deslocação e o regresso de centenas de pessoas à chamada “ilha montanha”.
Com esta celebração abre-se simbolicamente a temporada das grandes festividades de verão na ilha do Faial, conjugando o programa religioso com concertos, folclore, filarmónicas e manifestações da cultura popular açoriana.
A tradição remonta a 1718, altura em que a população viveu momentos de grande temor devido à erupção vulcânica em Santa Luzia, na ilha do Pico. O culto a Nossa Senhora das Angústias, contudo, é ainda mais antigo, remontando à época do povoamento da ilha. A primitiva ermida foi mandada construir por D. Brites de Macedo, que ali colocou a imagem de Nossa Senhora das Angústias trazida da Flandres.
Todos os anos, no sétimo domingo da Páscoa, a cidade da Horta volta a encher-se de fé, música e tradição, numa festa que continua a afirmar-se como um dos maiores símbolos religiosos e culturais do Faial e dos Açores.