
A irmã Maria Amélia Costa, da congregação das Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição (CONFHIC), foi hoje condecorada na Sessão Solene do Dia dos Açores com a Insígnia Autonómica de Mérito Cívico.
Natural da Horta, onde foi educada no Colégio de Santo António, a irmã Maria Amélia Costa disse em declarações à RTP Açores que a distinção é partilhada com toda a congregação, nomeadamente as educadoras que a acompanharam na adolescência e juventude.
“Se hoje estou aqui, não me devo só a mim e à minha família. Devo à missão e ao testemunho profissional, claro, alegre, de simplicidade, que são os tais valores que estamos a perder hoje, das minhas educadoras, que foram as irmãs do Colégio de Santo António da Horta”, afirmou.
“Eu sinto aqui toda a minha congregação, que está nos cinco continentes, e que neste dia está aqui comigo, e a quem eu devo todo o percurso pessoal que fiz, todo o percurso de entrega da minha vida aos outros”.
A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores homenageou hoje 25 personalidades que se distinguiram pelo seu contributo para o arquipélago, nomeadamente a irmã Amélia Costa e, a título póstumo, o padre Edmundo Manuel Pacheco
A Sessão Solene do Dia da Região Autónoma dos Açores decorreu, este ano, no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel, onde decorreu também um concerto comemorativo, no dia anterior.
Questionada pela RTP Açores sobre a juventude da atualidade, com quem a irmã Amélia tem trabalhado ao longo de 50 anos, a religiosa manifestou a sua preocupação com uma geração que está “um pouco acomodada” e “um pouco amedrontada com o presente que estamos a viver e com o futuro que se pressente”.
“Eu, nestes 50 anos de dedicação aos jovens, aprendi muito com os jovens. Estou convencida que hoje todas as instituições, a Igreja, os educadores, a família, vão ter mesmo que prestar uma atenção especial aos jovens, porque eles estão a viver num tempo e numa cultura e numa sociedade que eles não fizeram, encontraram-na na feita por nós adultos”, afirmou.
Para a religiosa açoriana, é necessário manifestar “atenção, escuta empática” em relação aos jovens, sem estar “sempre a moralizar nem a falar um discurso que já não tenha a ver com esta geração”.
“Os jovens quase que nos obrigam a atualizarmos permanentemente para nos adaptarmos a uma nova linguagem, uma nova forma de ser, uma nova forma de estar, mas, sobretudo, estão muito carenciados de quem os ame, de um toque de afeto, de um olhar querido, que os valorize, que lhes dê protagonismo, mas efetivo, não apenas algumas coisinhas. O jovem hoje está à espera de alguma seriedade da nossa parte”, sublinhou.
Foi também homenageado, a titulo póstumo com a mesma insígnia, o padre Edmundo Pacheco.
Padre e religiosa açorianos entre os homenageados no Dia da Região