Por António Pedro Costa

Depois de meses de trabalho, de preocupações e de rotinas exigentes, abre-se diante de nós um tempo propício ao descanso, ao reencontro com a família e os amigos e à redescoberta das maravilhas que Deus colocou à nossa volta. As férias de verão não são apenas uma pausa nas obrigações do quotidiano, são também uma oportunidade para fortalecer os laços afetivos e alimentar o espírito através da contemplação da criação.
Quem tem o privilégio de viver numa das nossas ilhas, encontra um verdadeiro paraíso onde a natureza revela, de forma admirável, a beleza e a generosidade do Criador. Em cada recanto dos Açores encontramos sinais da Sua presença, que nos convidam à gratidão, ao silêncio e à contemplação. Basta abrandar o ritmo, deixar de lado a pressa e permitir que os olhos e o coração se encham de tudo aquilo que esta terra oferece.
São Miguel, por exemplo, é uma ilha moldada pela força dos vulcões e pela serenidade das lagoas. As suas caldeiras fumegantes lembram-nos que a Terra continua viva, testemunhando a força da criação que Deus confiou à natureza. As águas termais, quentes e acolhedoras, oferecem momentos de descanso e bem-estar, quase como um abraço da própria natureza. Um mergulho na Poça da Dona Beija ou nas águas férreas da Caldeira Velha transforma-se facilmente num momento de paz interior, onde o silêncio fala mais alto do que as palavras.
As lagoas das Sete Cidades, do Fogo, das Furnas e tantas outras mais pequenas permanecem como autênticos espelhos da criação. Diante delas, quase apetece fazer silêncio e agradecer. Há paisagens que não precisam de explicações, pois basta contemplá-las para perceber que a beleza é também uma forma de Deus falar ao coração humano.
Os trilhos pedestres espalhados convidam a descobrir paisagens de rara beleza. Cada passo revela novos horizontes, lagoas de cortar a respiração, miradouros onde o olhar se perde entre o azul do céu, o verde das montanhas e o imenso Atlântico. O idílico Nordeste continua a encantar quem o visita. Os seus jardins cuidados, os seus miradouros e a tranquilidade que ali se respira fazem deste concelho um verdadeiro santuário natural, onde residentes e turistas encontram serenidade e inspiração.
O verão é igualmente tempo de mar. As praias de areia negra, tão características da costa micaelense, enchem-se de famílias, crianças e jovens que encontram nas águas do Atlântico momentos de alegria e descontração. Os banhos de mar, os jogos na praia e os longos fins de tarde tornam-se memórias que permanecem muito para além das férias. São instantes simples, mas preciosos, onde a convivência e a felicidade se constroem nas pequenas coisas.
Também a mesa ocupa um lugar especial nesta época do ano. A extraordinária gastronomia reúne famílias e amigos em torno de sabores únicos. O célebre cozido das caldeiras das Furnas, preparado lentamente pelo calor da terra, continua a ser um símbolo da identidade açoriana, tal como os cozidos das caldeiras da Ribeira Grande, que igualmente preservam uma rica herança gastronómica. Os peixes frescos, os mariscos, as carnes de excelente qualidade, os queijos e os produtos da terra fazem de cada refeição um momento de convívio e partilha.
E quantos encontros felizes acontecem à volta de um churrasco entre amigos, porque o cheiro da brasa, as conversas prolongadas, o riso das crianças e a alegria do reencontro fazem parte da beleza do verão. Não são apenas refeições, pois são momentos de comunhão, onde se fortalecem amizades, se renovam afetos e se criam recordações que aquecem o coração durante todo o ano.
O verão convida-nos, por isso, a muito mais do que descansar. Convida-nos a viver com mais calma, a desligar do excesso de preocupações, a escutar melhor quem está ao nosso lado e a redescobrir o encanto das coisas simples. É um tempo favorável para contemplar e reconhecer que toda a criação canta a glória de Deus.
Saibamos aproveitar este precioso período do ano e que as férias sejam ocasião para fortalecer a família, cultivar as amizades, cuidar da saúde física e espiritual e louvar o Criador pelas maravilhas das nossas ilhas. Que cada passeio, cada mergulho, cada refeição partilhada e cada paisagem contemplada despertem em nós um sincero sentimento de gratidão. Assim, o verão será verdadeiramente um tempo de descanso, de alegria e de esperança, vivido na paz que Deus oferece a todos os que sabem reconhecer a beleza da Sua criação.