Último seminarista formado integralmente em Angra será ordenado padre no dia em que a Diocese celebra sete jubileus sacerdotais

Fábio Silveira, natural da ilha do Pico, será ordenado sacerdote no próximo dia 14 de junho, na Sé de Angra, numa celebração que ficará igualmente marcada pela comemoração dos jubileus sacerdotais de sete presbíteros da Diocese de Angra. Aos 37 anos, torna-se o último aluno açoriano a concluir toda a sua formação no Seminário Episcopal de Angra, num percurso que acompanhou mudanças significativas na formação dos futuros padres

Foto Fábio Silveira, aluno estagiário do Seminário Episcopal de Angra

A Diocese de Angra vai viver, no próximo domingo, dia 14 de junho, um dos momentos mais significativos do seu calendário pastoral com a ordenação sacerdotal de Fábio Silveira, numa celebração presidida pelo bispo diocesano na  Catedral,  em Angra do Heroísmo, às 16h00. A data coincide com a celebração dos jubileus sacerdotais de sete padres diocesanos, associando a alegria de uma nova vocação ao reconhecimento de décadas de serviço ministerial.

Natural da paróquia da Candelária, no concelho da Madalena, ilha do Pico, Fábio Silveira entrou no Seminário Episcopal de Angra aos 28 anos, depois de já ter concluído estudos e iniciado uma vida profissional. Essa experiência prévia acabou por marcar o seu percurso vocacional e a forma como encara o ministério.

“Eu sinto que a minha experiência de vida, a minha experiência de relação com as pessoas, também muito enraizada na arte e na cultura, que é o meu berço de formação, geram alguma confiança nas pessoas”, afirma.

Ao longo dos anos de formação, destacou-se igualmente pelo gosto pela música e pelas expressões culturais, áreas que considera terem contribuído para a sua forma de compreender e viver a vocação sacerdotal.

Fábio Silveira foi também protagonista de uma nova etapa na formação dos seminaristas açorianos. O sexto ano do seu percurso já decorreu em contexto paroquial, integrado diretamente na vida das comunidades, uma experiência pioneira que lhe permitiu aproximar-se da realidade pastoral antes da ordenação, que cimentou este ano na Povoação.

“O contexto atual no seminário e a forma como nós nos integramos antes da ordenação nas paróquias embebe-nos um pouco do trabalho e da própria pastoral que já vai ser o futuro”, refere.

Durante essa fase, esteve ao serviço das comunidades da Fonte do Bastardo e de São Sebastião, na ilha Terceira. Posteriormente, já como diácono, foi enviado para a Ouvidoria da Povoação, em São Miguel, onde continua a exercer o seu ministério junto das várias comunidades locais.

A poucos dias da ordenação, confessa viver este tempo com serenidade, embora reconheça que a proximidade da data começa a fazer crescer a expectativa.

“A ansiedade começa realmente a chegar, mas ainda muito disfarçada no meio do que são as lides da pastoral”, admite.

A Missa Nova está marcada para o dia 21 de junho, na Igreja de Santo António do Monte, na Candelária, a comunidade onde foi batizado, fez a catequese e onde nasceu a sua ligação à Igreja.

Sobre a forma como pretende viver o sacerdócio, Fábio Silveira defende uma Igreja próxima das pessoas e presente nos espaços da vida quotidiana.

“Eu quero que as pessoas me vejam como uma pessoa que faz parte da comunidade e não uma pessoa que está à margem da comunidade”, afirma.

Numa reflexão sobre os desafios atuais da evangelização, considera que a Igreja deve reforçar a sua presença junto das pessoas e abandonar uma lógica excessivamente centrada nas estruturas.

“A Igreja tem de ser uma Igreja cada vez mais em saída para entrar no século e não estar estagnada à espera que o século entre dentro da Igreja”, sustenta.

Para o futuro sacerdote, o contacto com as comunidades será essencial para a vivência do ministério.

“O sentido mais autêntico da minha vocação encontrei-o nas pessoas e para mim não faz sentido ser sacerdote se não tiver as pessoas à minha volta”, sublinha.

A sua ordenação assume também um valor simbólico para a Diocese de Angra. Além de representar o ingresso de um novo sacerdote ao serviço da Igreja açoriana, marca o final de um ciclo formativo realizado integralmente no Seminário Episcopal de Angra, antes da implementação dos novos modelos de formação que levam atualmente os seminaristas açorianos a completar parte do percurso fora da Diocese.

No mesmo dia, a Igreja Diocesana prestará homenagem a sete sacerdotes que celebram jubileus de ordenação, numa jornada que unirá a memória de décadas de dedicação sacerdotal à esperança renovada trazida por uma nova vocação.

A entrevista do diácono Fábio Silveira pode ser ouvida este domingo depois do meio-dia, na Antena 1 Açores e no Rádio Clube de Angra ou em podcast no sítio Igreja Açores.

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