
Pela segunda vez em menos de 10 anos, as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas decorrem nos Açores, desta feita na ilha Terceira.
O Presidente da República, António José Seguro já está na ilha, na sua primeira deslocação à Região Autónoma dos Açores, depois da eleição e a cerimónia do hastear da bandeira, que normalmente marca o arranque das comemorações, está agendada para as 15:00 locais (menos uma hora que em Lisboa), no Pátio da Alfândega, em Angra do Heroísmo.
Hoje, António José Seguro irá reunir-se com a representante da República na Região Autónoma dos Açores, Susana Goulart Costa, açoriana, natural de Angra do Heroísmo, a primeira mulher a desempenhar este cargo, para o qual foi nomeada em abril pelo chefe de Estado. Terá ainda um encontro com jovens, na casa da Juventude na Praia da Vitória e depois receberá o Corpo Diplomático no Palácio dos Capitães Generais, onde estará também o Núncio Apostólico , D. Andrès Carrascosa Coso, que visita os Açores pela segunda vez no espaço de um mês. À noite irá assistir a um concerto na Praça Velha, em Angra do Heroísmo, seguido de um espetáculo de fogo de artifício, na baía de Angra.
Na quarta-feira, 10 de Junho, a cerimónia militar do Dia de Portugal terá lugar no Cerrado do Bailão, em Angra do Heroísmo, com discursos do Presidente da República e do presidente das comemorações, Miguel Monjardino, especialista em relações internacionais nascido em Angra do Heroísmo.
O Dia de Portugal é comemorado na ilha Terceira numa altura em que a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos da América, no contexto da guerra contra o Irão, tem suscitado polémica.
No primeiro encontro com os jornalistas, depois de ter estado com a Representante da República para os Açores, defendeu que se deve manter “boas relações” com os Estados Unidos da América, e aprofundá-las, mas ao mesmo tempo assegurar a “autonomia estratégica” da Europa em matéria de segurança e defesa.
“Acho que as duas dimensões são perfeitamente complementares”, declarou António José Seguro.
Questionado pelos jornalistas sobre qual o momento adequado para uma eventual revisão do acordo de cooperação e defesa entre Portugal e os Estados Unidos da América que regula a utilização da Base das Lajes – que defendeu em janeiro, enquanto candidato presidencial –, o chefe de Estado e comandante supremo das Forças Armadas considerou que “não é este o momento” para falar desse assunto.
No início da sua intervenção, António José Seguro mencionou que “poder celebrar o Dia de Portugal no meio do Atlântico” constitui “um privilégio raro que nem todos os países têm a possibilidade de fazer”.
Depois, o chefe de Estado salientou que neste ano se cumprem 50 anos da consagração constitucional das autonomias regionais dos Açores e da Madeira, que “todo o país celebra”.
António José Seguro, que iniciou funções como Presidente da República em 9 de março, decidiu prosseguir o modelo de duplas comemorações do 10 de Junho, em Portugal e junto de comunidades emigrantes portuguesas no estrangeiro, iniciado pelo seu antecessor, Marcelo Rebelo de Sousa, em 2016. No fim de semana, antes das comemorações em território nacional, o Presidente da República celebrou o Dia de Portugal no estrangeiro, junto de emigrantes portugueses e lusodescendentes no Luxemburgo, onde esteve acompanhado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, no domingo.
Nestas celebrações será ainda distinguida a Universidade dos Açores que completa também 50 anos de vida.
A academia açoriana nasceu a 9 de janeiro de 1976, com a designação de Instituto Universitário dos Açores. Obedecendo à genética ilhense, é distribuída pelos três históricos centros regionais: Ponta Delgada, Angra e Horta e teve como primeiro reitor um ex sacerdote, professor no Seminário Episcopal de Angra, José Enes.
https://www.igrejaacores.pt/a-historia-acoriana-fica-incompleta-se-ignorarmos-a-influencia-da-igreja-na-organizacao-das-comunidades-na-educacao-na-assistencia-social-e-ate-na-propria-afirmacao-cultural-das-ilhas/
Igreja junta-se às comemorações do Dia de Portugal
O presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, da Igreja Católica em Portugal, publicou uma mensagem para as celebrações do 10 de junho, convidando o país a “vencer o medo juntos” e à defesa da vida.
“O Portugal de sempre será o Portugal de amanhã se souber velar pela própria verdade, na defesa da vida toda e de todas as vidas. E que fique claro: a incontestável matriz cristã da identidade portuguesa impele-nos ao diálogo, que também é inter-religioso e intercultural; inspira-nos fraternidade e valorização da liberdade; convoca-nos à corresponsabilidade e à inclusão”, escreve D. Pedro Fernandes, na mensagem para o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas 2026.
Entre “a gratidão e o compromisso”, o responsável católico elogia o “plural povo português, que se celebra a 10 de junho” e deseja que “seja permitido vencer o medo juntos, não divididos”, na procura de paz e no diálogo, “não nos discursos de ódio”, e “num sério ‘cumprimento’ de Portugal regido pela busca do “bem comum”.
“A todos os nossos irmãos cristãos e a todos os outros nossos concidadãos, portugueses ou não, desejo, unido a Cristo, que Portugal se cumpra em nós e entre nós, como um lugar de paz e de justiça para todos.”
D. Pedro Fernandes, bispo de Portalegre-Castelo Branco, assinala que as identidades nacionais têm algo de perene, “em que a continuidade se deve assegurar”, e de dinâmico, que “contraria compreensões imobilistas, rígidas”.
“Sabemos o quanto a identidade nacional e a cultura de um povo se vão construindo e entretecendo ao longo de séculos, acolhendo diferentes inspirações e conjugando diferentes origens, nem sempre lineares. Somos o que somos graças a um longo caminho, feito de memória e criatividade”, sustentou.
Para o presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, a memória é importante quanto ao legado recebido, enquanto a criatividade, “indissociável da memória, é igualmente decisiva”.
“As nossas trajetórias históricas foram um processo criativo, em que nos soubemos reinventar, recolhendo com gratidão o dom e reinvestindo-o em novos desafios. Entre a gratidão e a construção, eis onde nos podemos ir descobrindo e afirmando”, acrescentou.
No âmbito do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o responsável católico também refere-se ao contexto global contemporâneo que “é marcado pela incerteza e por uma mudança nem sempre reconfortante”: “Espreita-nos o medo e a tentação de nos recurvarmos sobre nós, temerosos do que aí venha e do que os outros nos tragam”.
Segundo D. Pedro Fernandes, a história, “e também a fé cristã” que o anima, dizem que “é no diálogo e no acolhimento” que se encontra a estabilidade “e as condições para evoluir”, e destaca que o Papa Leão XIV na sua primeira encíclica ‘Magnifica Humanitas’ (Magnifica Humanidade), apresenta “duas imagens sugestivas”, da Torre da Babel, “feita de identidades fechadas e autoritárias”, e da reconstrução da Cidade Santa, que, “ao tempo de Neemias, se empreendeu num esforço comunitário de envolver todos”.
(Com Ecclesia- Notícia atualizada às 17h20)