Clínica do Bom Jesus celebra 60 anos e projeta reforço da sua missão social

Instituição assinalou aniversário com uma eucaristia seguida de uma tertúlia onde evocou a memória do casal Furtado Lima, fundador desta unidade de saúde agora gerida pela Fundação Pia Diocesana do Bom Jesus

Foto: Igreja Açores/CR

A Clínica do Bom Jesus celebrou esta tarde, em Ponta Delgada, o seu 60.º aniversário, numa sessão comemorativa marcada pela evocação do legado dos fundadores, pela reflexão sobre o percurso da instituição e pelo desafio de reforçar a sua dimensão social nos próximos anos.

As comemorações tiveram início com uma eucaristia presidida pelo Vigário-Geral da Diocese de Angra, cónego Gregório Rocha, que centrou a sua homilia na parábola do Bom Samaritano, para recordar a identidade e a missão da instituição fundada por Aníbal Furtado Lima e sua esposa, Maria Laura.

“O nosso próximo é o que sofre”, afirmou o sacerdote, acrescentando que “não passar ao lado do que sofre é o verdadeiro critério e o que suaviza a dor e ajuda a mitigar a fragilidade”.

“Hoje vivemos numa sociedade com muitas técnicas mas a proximidade não se estabelece. A figura do Bom Samaritano, com gestos concretos, devolve a dignidade. Cuidar é mais do que um gesto técnico; é um ato de amor”, afirmou sublinhando ainda que o acolhimento, a atenção e a escuta constituem expressões concretas da misericórdia cristã.

O responsável diocesano, que foi portador de um “abraço do Senhor Bispo, que não pode estar presente por ter outros compromissos oficiais já agendados”, salientou ainda o papel dos profissionais de saúde e das famílias no acompanhamento dos doentes.

“Os técnicos de saúde são um autêntico sacerdócio; o seu acolhimento, a atenção e a escuta que dedicam aos doentes são gestos da misericórdia de Jesus”, referiu ainda.

O Vigário-Geral deixou ainda uma palavra aos doentes: “Caros doentes, a oferta da vossa fragilidade e do vosso sofrimento é que nos segura a todos, a mim como padre, à Igreja, a todos. A vossa oração e o vosso sofrimento oferecido são remédios para nós”.

Foto: Igreja Açores/CR

Após a celebração, realizou-se uma tertúlia moderada por Pedro Gomes, que procurou evocar a memória do médico Furtado Lima e da esposa, que construíram a Clínica do Bom Jesus deixando-a depois à Diocese, tal como a sua residência, hoje a Casa Betânia, destinada ao cuidado de sacerdotes, que pela idade ou pela doença precisam de cuidados.

Pedro Cordeiro, radiologista na instituição e próximo da família desde criança, recordou o percurso da instituição e a sua relevância no contexto regional da saúde, “complementando de forma inovadora” alguns serviços que passaram a ser “de todos para todos”.

Monsenhor José Constância, outro dos participantes na tertúlia, evocou a figura de Aníbal Furtado Lima, de quem foi próximo durante vários anos. Recordou-o como “um homem inteligente, sóbrio, modesto e corajoso”, destacando o seu profundo compromisso com os mais necessitados.

“Guardou o melhor de si para os pobres de quem era especial amigo”, afirmou, acrescentando que o fundador “quis fazer da narrativa evangélica do Bom Samaritano uma missão para orientar a sua ação”.

Na sua intervenção, o sacerdote sublinhou ainda que a génese da clínica está intimamente ligada a uma visão cristã do cuidado integral da pessoa.

“Nunca rompeu um cuidado pelos doentes e pela atenção completa ao doente, incluindo a dimensão espiritual”, referiu, acrescentando que uma das marcas da instituição foi sempre a preocupação com a pessoa “em todas as dimensões” humana e espiritual.

Também Manuela Mota, atual responsável pela associação de voluntários da Clínica, destacou a capacidade de acolhimento nos momentos mais difíceis da vida humana.

Nesta tertúlia participou igualmente um sobrinho neto, Filipe Maurício, que elogiou a atenção, o cuidado e o desejo de servir dos tios, fosse nos valores transmitidos em família,  fosse nos cuidados técnicos aos doentes.

No encerramento da sessão, Francisco Silva reiterou a responsabilidade de honrar a herança deixada pelos fundadores e de adaptar a instituição às necessidades atuais da sociedade açoriana. O presidente da Fundação Pia Diocesana do Bom Jesus defendeu que o futuro da Clínica passa por reforçar a sua missão social, mantendo o espírito de serviço, proximidade e atenção aos mais frágeis que presidiu à sua fundação.

Quando abriu portas a 9 de junho de 1966, a Clínica do Bom Jesus era considerada uma das unidades privadas mais modernas. Sessenta anos depois, continua a ser uma estrutura de referência na saúde açoriana, dispondo de um vasto conjunto de infraestruturas e serviços.

O complexo é constituído por um edifício principal, três parques de estacionamento e quatro instalações anexas: a Casa Betânia, antiga residência dos fundadores destinada por eles ao acolhimento de sacerdotes que necessitam de cuidados continuados; um posto gerador de emergência e um centro médico com funções de policlínica.

No edifício principal funcionam os serviços de internamento e apoio clínico. O piso térreo integra a receção, serviços administrativos, farmácia, capela, morgue e posto de transformação elétrica.

No total, a Clínica dispões de 75 quartos , 20 dos quais alocados à rede regional de Cuidados Continuados,  distribuídos pelos pisos 2 e 3, além do refeitório, bar, cozinha, vestiários e o serviço de radiologia. No terceiro piso, concentra uma importante área assistencial, composta pelo bloco operatório, equipado com duas salas cirúrgicas, sala de recobro, sala de enfermagem, sala de tratamentos e sala de espera para visitas. Já na cave funcionam a lavandaria e os serviços de apoio ao tratamento e gestão de roupas, essenciais ao funcionamento diário da instituição.

Ao longo dos anos, a Clínica do Bom Jesus tem vindo a renovar progressivamente os seus equipamentos, sobretudo no bloco operatório, considerado uma das principais fontes de receita da instituição.

Atualmente, a unidade dispõe de tecnologia moderna em áreas como a artroscopia, cirurgia laparoscópica e litotrícia, permitindo realizar intervenções diferenciadas e acompanhar a evolução da medicina contemporânea. Mas, precisa de investir mais para diferenciar os cuidados e poder gerar fontes de receita que sustentem a missão social.

A clínica oferece ainda 14 especialidades médicas e um conjunto alargado de meios complementares de diagnóstico e terapêutica, incluindo radiologia, mamografia, ecografia, cardiologia, pneumologia, fisioterapia e reabilitação.

60 anos a cuidar com propósito:  Clínica do Bom Jesus celebra legado de Aníbal Furtado Lima

Scroll to Top