
As Jornadas Pastorais do Episcopado concluíram-se hoje em Fátima, após dois dias de trabalho, assumindo a necessidade de desenvolver competências, a vários níveis, perante o desenvolvimento da inteligência artificial (IA).
“Esta transformação exige novas competências. A Igreja precisa de literacia digital, conhecimento básico sobre inteligência artificial, capacidade de avaliar riscos, consciência ética, sentido crítico perante a desinformação”, refere o documento conclusivo, apresentado aos participantes.
A reflexão alerta para o impacto da tecnologia nas escolhas diárias, pedindo clareza sobre os critérios que orientam as plataformas digitais.
“A Igreja deve compreender a inteligência artificial como parte de uma nova gramática social, capaz de influenciar a visão da pessoa, da liberdade e da verdade”, indica o documento.
“É necessário ir ao encontro das periferias digitais, escutar as perguntas que nascem nos ambientes online, criar percursos de acompanhamento e fazer do digital uma porta para o encontro real.”
A síntese dos trabalhos evocou as intervenções dos especialistas D. Renzo Pegoraro e Juan Narbona, sublinhando que a ferramenta tecnológica “nunca é neutra”.
O alcance destas redes de informação justifica a aplicação de uma “algorética” logo na fase de conceção.
Os teólogos João Manuel Duque e Eugénia Abrantes, responsáveis pelas intervenções desta tarde, destacaram que as comunidades católicas não podem abdicar do “rosto” e da dimensão corpórea.
A iniciativa reuniu bispos e responsáveis diocesanos com o objetivo de debater estratégias que transformem o ciberespaço numa porta genuína para a aproximação social e para a comunhão.
“A grande transformação está em perceber que a fidelidade ao Evangelho, hoje, exige criatividade cultural, competência comunicacional e responsabilidade tecnológica. Num mundo mediado por códigos e ecrãs, a Igreja deve continuar a anunciar o Deus que se fez carne, presença e proximidade”, indicam as conclusões.
O encontro nacional do episcopado, subordinado ao tema ‘Anúncio da Fé na Nova Revolução Tecnológica (IA) e na Nova Cultura’, decorreu entre segunda-feira e hoje no santuário mariano.
D. Virgílio Antunes, presidente da CEP, agradeceu a todos os participantes, assumindo o “desafio muito grande” de dar continuidade a esta reflexão, à luz da encíclica ‘Magnifica Humanitas’, de Leão XIV.
(Com Ecclesia)