Mensagem do Bispo de Angra, D. António de Sousa Braga

Queremos viver e celebrar o Dia e a Semana da Diocese, tendo presente já a preparação próxima para iniciar o Ano Santo da Misericórdia.

“Sede Misericordiosos como o Pai” (LC 6, 37-38)!. São as palavras de ordem de Jesus, que o Papa Francisco assume como emblema deste Ano Santo da Miserciórdia: “Filipe, quem lhe vê, vê o Pai” (Lc 6, 37-38). Jesus revela o “Deus Amor”: amor que tem a sua máxima expressão na misericórdia. “Ter misericórdia” é a capacidade de “se compadecer”; de “padecer-com”, de se pôr no lugar do outro, como Jesus, que se fez um de nós, para vir ao nosso encontro, para que tenhamos a vida com abundância.

“Abrir a Porta da Misericórdia” é a missão essencial da Igreja. É por isso que o Ano Santo da Misericórdia começa com o gesto do Papa que entra na Basílica de São Pedro pela “Porta da Misericórdia”.

Explica o Papa Francisco na Bula de proclamação do Ano Santo, “Misericordiae Vultus”: “No mesmo domingo (terceiro domingo do Advento), em cada Igreja particular- na Catedral, que é a Igreja Mãe para todos os fieis, ou na Com-Catedral ou então numa Igreja de significado especial- se abra igualmente, durante todo o Ano Santo, uma Porta da Misericórdia.

“Por opção do Ordinário, a mesma poderá ser aberta também nos Santuários, meta de muitos peregrinos que, frequentemente, nestes lugares santos, se sentem tocados no coração pela graça e encontram o caminho da conversão”.

“Pertence, portanto, ao Ordinário decidir em qual Igreja abrir a Porta da Misericórdia, que será única para cada diocese. Naturalmente, será oportuno garantir que na mesma Igreja estejam sempre disponíveis sacerdotes para as confissões, pelo menos durante todo o Jubileu”.

“Os sinais Jubilares”

O logotipo do Ano Santo da Misericórdia, proposto pelo Papa Francisco, é obra do jesuíta Pe Marko Rupnik: “é uma pequena suma teológica do tema da misericórdia… O Bom Pastor carrega com extrema misericórdia a humanidade, mas os seus olhos confundem-se com os do homem. Cristo vê com os olhos de Adão e este com os olhos de Cristo. Cada homem descobre assim em Cristo, novo Adão, a própria humanidade e o futuro que o espera, contemplando no seu olhar o amor do Pai” (Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, Boletim Informativo, pág 11).

Vamos, pois, assinalar o Dia da Igreja Diocesana e a Semana da Diocese, promovendo o grande sinal da “indulgência jubilar”, como nos recomenda o Papa Francisco:

– “Espero que a indulgência chegue a cada um, como uma experiência genuína da misericórdia de Deus, a qual vai ao encontro de todos com o rosto do Pai que acolhe e perdoa, esquecendo completamente o pecado cometido.

– “Para viver e obter a indulgência, os fiéis são chamados a realizar uma breve peregrinação rumo à Porta Santa, aberta em cada catedral e nas igrejas estabelecidas pelo Bispo Diocesano e nas quatro Basílicas Papais em Roma, como sinal do profundo desejo de verdadeira conversão.”

– “Estabeleço também que se possa obter a indulgência nos Santuários, onde se abrir a Porta da Misericórdia e nas igrejas que, tradicionalmente, são identificadas como Jubilares”.

– “É importante que este momento esteja unido, em primeiro lugar, ao Sacramento da Reconciliação e à celebração da Santa Eucaristia, com uma reflexão sobre a Misericórdia”.

– “Será necessário acompanhar estas celebrações, com a profissão de fé e com a oração por mim e pelas intenções que trago no coração para bem da Igreja e do mundo inteiro”.

– “Penso também em quantos por diversos motivos estiveram impossibilitados de ir até à Porta Santa, sobretudo os doentes e as pessoas idosas e sós, que muitas vezes se encontram em condições de não sair de casa”.

– “O meu pensamento dirige-se, também, aos encarcerados, que experimentam a limitação da liberdade. O Jubileu constitui sempre uma oportunidade de grande amnistia”.

– “Eu pedi que a Igreja redescubra neste tempo jubilar a riqueza contida nas obras de misericórdia corporais e espirituais”. (Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, Carta do papa Francisco ao Presidente, D. Rino Fisichella, 1 de setembro de 2015).

Queremos, pois assinalar o Ano Santo da Misericórdia, com os sinais tradicionais da antiquíssima tradição, tais como a “Peregrinação”, a “Porta Santa” e a “Indulgência”, mas também pondo em prática a Celebração Sacramental da Reconciliação e as Obras de Misericórdia. Os Missionários da Misericórdia, nas suas missões populares, devem levar à Celebração sacramental e à prática das Obras de Misericórdia. Como sabemos, a fé sem obras está morta: “assim também a fé, pos si só, se não for acompanhada de obras está morta. Mas alguém dirá: você tem fé, eu tenho obras. Mostre-me a sua fé sem obras e eu mostrarei a minha fé pelas obras”.

+ António, Bispo de Angra (Mensagem por ocasião do 481º aniversário da Diocese de Angra)