Por Renato Moura

Confesso que o tema para esta partilha me surgiu por que a igreja da Fajã Grande, nas Flores, entrou em obras. O primeiro objectivo era a substituição do tecto interior e depois todas as obras de reparação e conservação que as circunstâncias aconselhassem, aproveitando o facto de os actos de culto estarem a decorrer numa Casa do Espírito Santo.

Como habitualmente acontece, acabam por surgir imprevistos, com que se defronta agora o Conselho para os Assuntos Económicos, recentemente empossado, que não tinha sido possível constituir na última meia dúzia de anos. Ainda assim um conjunto de colaboradores foram promovendo iniciativas, com muita persistência e trabalho, que geraram um pecúlio para os investimentos inicialmente orçamentados, que, porém, não será suficiente para acudir aos imprevistos e remodelações tornadas necessárias e agora oportunas.

Dir-se-á que a Paróquia da Fajã Grande é apenas uma. Mas infelizmente as dificuldades de conservação dos templos são comuns a todas as paróquias, principalmente nas ilhas menos populosas. Poderá argumentar-se que esse é um problema das comunidades religiosas cristãs, que deles necessitam para os serviços de culto públicos e por isso tinham de assumir a obrigação exclusiva de os sustentar.

Mas a verdade é que uma parte significativa da população que se afirma católica, habitualmente não tem prática religiosa regular, não contribui para os investimentos e nem sequer para as despesas correntes das paróquias, todavia quer os templos e os ministros disponíveis para os baptizados, casamentos e funerais! E não faz sentido exigir disponibilidade sem contributo, pois que nem os serviços do Estado os oferecem, na maioria dos casos.

A população em geral – mesmo os não religiosos ou cristãos não praticantes – olha para as igrejas como obras arquitectónicas valiosas, e normalmente o templo é o principal monumento erguido em cada freguesia ou lugar. São sempre edifícios de significativo valor que representam a mentalidade de uma época, o talento e a capacidade de empreendimento dos antepassados, com significado histórico e cultural. Por estes motivos são visitadas e apreciadas por quantos demandam estas terras.

Os templos, que mais não fosse pela sua qualidade estética, merecem ser conservados, garantindo-os para referência fundamental no futuro. Só por serem monumentos, o dever de os preservar cabe também aos poderes públicos, sejam eles nacionais, regionais, municipais ou de freguesia; e aos cidadãos em geral, em nome da defesa do património herdado.