Mensagem para o Dia da Sagrada Família deixa apelo a uma pastoral familiar renovada que evite a “desorientação” e “ação manipuladora de determinadas ideologias”

O bispo de Angra apela a uma intensificação da pastoral familiar de forma a que o trabalho com as famílias, e em prol delas, possa ser sempre renovado e as famílias possam cumprir a sua vocação evangelizadora.

“A família cristã, verdadeira Igreja Doméstica, tem em si mesma uma força evangelizadora única e singular. Pela formação cristã, pela oração, pela celebração dos sacramentos e pelo testemunho de partilha abre-se ao mundo para projectar luz”, afirma D. João Lavrador na Mensagem enviada a todos os diocesanos para assinalar o Dia da Sagrada Família, que se celebra no próximo domingo, dia 27.

Por isso, pede que “não haja nenhuma paróquia e Ouvidoria que não se empenhe na organização da pastoral familiar em articulação com o serviço diocesano da pastoral familiar” para “ que todas as famílias se integrem e participem ativamente na comunidade cristã, pela participação na Eucaristia dominical, pela catequese paroquial, pela oração comunitária, pela dinamização dos diversos grupos e movimentos paroquiais e pela atenção aos mais excluídos”.

“Nunca é demais, no contexto desta festa da Sagrada Família de Nazaré, despertarmos as paróquias e as Ouvidorias para uma adequada e urgente pastoral familiar” afirma o bispo de Angra ao sublinhar que “a ela compete fazer resplandecer o brilho do amor e da beleza do matrimónio e da família, articular a família com as diversas funções da vida pastoral nas paróquias, estabelecer e dinamizar os movimentos de pastoral familiar, estabelecer formas de acolhimento às situações de fragilidade familiar”.

Além deste desafio, o prelado lança mais dois apelos às famílias açorianas. O primeiro prende-se com a necessidade das famílias se inspirarem no modelo de Nazaré, que “seguiu o amor de Deus”, aceitando o Seu projecto. O segundo é a aprendizagem do perdão.

“Fundamentai o vosso ser família no amor de Deus e renovai-o constantemente pela acção do Espirito Santo” afirma o prelado insular alertando para o tempo exigente que as famílias vivem atualmente.

“Nos tempos em que vivemos, importa reconhecer que o sacramento do matrimónio que introduz na vida de uma nova família não pode ser estático, muito pelo contrário, tem de ser encarado como dinamismo permanente. Eis como se pode saborear a Boa Nova que está presente na beleza e no encanto da família”, afirma destacando os obstáculos que se colocam ao modelo cristão de família “provocados pela desorientação da cultura e da sociedade actual, ou ainda pela manipulação que determinadas ideologias exercem sobre ela”.

A este propósito, recordando o discurso do Papa Francisco no Encontro Mundial das Famílias em Filadélfia, nos Estados Unidos, D. João Lavrador recorda que só o amor de Cristo “torna possível o matrimónio e um amor conjugal caraterizado por fidelidade, indissolubilidade, unidade e abertura à vida”. Mas, para isso, refere é necessário saber dar valor ao perdão.

“Tal como em qualquer comunidade celebrar o amor exige de igual modo celebrar o perdão. Perante os conflitos que surgem no seio do matrimónio e da família exige-se uma atenção redobrada ao amor que se traduz também no perdão mútuo” afirma o prelado na mensagem.

O bispo de Angra apresenta a família como o pilar do sociedade e convida todas as famílias da diocese a sintonizarem-se com a vontade do Papa que acaba de estabelecer um ano dedicado à família, no quinto aniversário da Exortação Apostólica «Amoris Laetitia», que decorrerá de 19 de Março de 2021 até 26 de Junho de 2022, ocasião do X Encontro de Famílias em Roma.

A mensagem termina com uma prece, invocando a protecção da Sagrada Família  sobre todas as famílias da diocese “sobretudo as que sentem mais débeis e frágeis”.