D. António de Sousa Braga celebrou dia de Nossa Senhora do Carmo na Igreja do Colégio em Angra do Heroísmo

A sociedade precisa de cristãos disponiveis para ajudar gratuitamente e que não se deixem levar apenas por interesses pessoais, disse esta quinta feira o Bispo de Angra durante a celebração a que presidiu na Igreja do Colégio em Angra do Heroísmo, ilha Terceira,  para invocar Nossa Senhora do Carmo.

O Prelado diocesano lembrou que tal como Maria, se assumiu como a “serva do senhor” disponível para fazer “segundo a sua vontade”, também os cristãos devem seguir esse “modelo de disponibilidade,  passando (tal como Ela) um cheque em branco, pondo-se totalmente nas mãos de Deus, para realizar os Seus desígnios e não projetos pessoais”.

Sublinhando o Seu papel de “mãe da misericórdia”, D. António de Sousa Braga insistiu na ideia de que Maria “é fundamental” porque “está presente no acontecimento crucial da nossa redenção”.

“Está ali como Mãe, para apoiar e confortar Jesus. Está como testemunha para entrar no coração do amor e desígnio salvífico de Deus, presenciando a sua mais alta e surpreendente revelação. Está como companheira, sendo associada à obra do seu Filho. Está como intercessora, cooperando com Ele na obra da redenção. Está como imagem e figura da Igreja, a nova Eva, que nasce do lado do redentor, o novo Adão, adormecido pelo sono profunda da morte no leito da cruz”, referiu o responsável pela igreja diocesana.

D. António de Sousa Braga frisou, ainda, o papel fundamental de Maria no anuncio da boa nova porque “está sempre no meio do povo… Ela é a Mãe da Igreja evangelizadora e, sem ela, não podemos compreender cabalmente o espírito da nova evangelização”.

Por isso, diz o prelado, “devemos voltar para Ela o nosso olhar de amor  e de gratidão” como um filho faz a uma mãe, porque é “ela através da sua presença que nos  conduz a Jesus, no-lo entrega, no-lo dá a conhecer e nos ensina a viver e a caminhar com Ele”, mesmo ciente que no principio “pouco ou nada sabemos ou podemos fazer… Que os primeiros passos serão poucos, vacilantes, acompanhados de muitas quedas… Que o percurso da vida cristã passará por tantas vicissitudes. Mas permanece fiel, atenta, vigilante, até ao fim”.

Daí que tendo sido “a estrela da primeira evangelização seja agora também a estrela da nova evangelização”, conclui o Bispo de Angra, lembrando que esta “nova etapa deve ser acolhida por toda a comunidade eclesial”

D. António de Sousa Braga lembrou, ainda, o significado desta festa de Nossa Senhora do Carmo, que nos reporta ao Monte Carmelo, situado na Galileia, lugar de oração e de uma profunda experiência de fé do profeta Elias.

“Carmelo” significa: vinha (carmo) do Senhor (elo). Nesse monte, sucederam-se várias gerações de eremitas, até se organizar a Ordem dos Carmelitas, que pretendem cultivar e fazer frutificar a vinha do Senhor, através da contemplação e da oração, sob o patrocínio de Nossa Senhora.

No séc. XII, aquando das perseguições na Terra Santa, os Carmelitas refugiam-se na Inglaterra, onde se fixam e têm como superior Simão StocK.

No meio das dificuldades por que passava a ordem, S. Simão pede a Nossa Senhora um sinal especial de proteção. Nossa Senhora deu-lhe o escapulário, sinal de proteção contra os perigos e penhor de salvação.

Para o responsável pela Igreja nos Açores “o escapulário não é- contudo- um talismã ou amuleto, mas um  sinal sensível da gratuidade da salvação de Deus, que deve ser acolhido com a disponibilidade de Nossa Senhora. Ela é a `cheia de graça´ porque recebeu tanto de Deus. E acolheu tudo”.

A devoção mariana “não é , por isso, algo de opcional” – no sentido de que se pode ter ou deixar de ter – mas “faz parte do desígnio da salvação de Deus”, conclui o prelado diocesano.

A seguir à eucaristia realizou-se a tradicional procissão pelas ruas de Angra do Heroísmo.

Também na Horta, ilha do Faial  se celebrou a solenidade de Nossa Senhora do Carmo bem como em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, onde a igreja de Nossa Senhora do Carmo, fechada ao culto durante o ano,  reabriu portas para oferecer além da Eucaristia vários momentos musicais.