“Quando um em cada três de nós não tem com que atender às necessidade básicas temos de nos questionar sobre que fraternidade é esta”, afirma D. João Lavrador

A pouco mais de uma semana do Natal e quando os lares açorianos se preparam para a grande noite de Natal, o bispo de Angra, numa entrevista ao Igreja Açores, lembra que 32% dos açorianos vivem no limiar da pobreza e, por isso, depois de tantos programas e de tantas ações “há algo que não está bem”.

“Há dias, desculpem a expressão, levei como que um soco no estômago quando a nossa comunicação social relatou que 32% dos açorianos estão no limiar da pobreza. É inadmissível! Quando um em cada três de nós não tem com que atender às necessidade básicas temos de nos questionar sobre que fraternidade é esta. O que é que estamos a fazer?” interpela D. João Lavrador numa entrevista que vai para o ar este domingo no programa Igreja Açores, a partir do meio dia no Rádio Clube de Angra e na Antena 1 Açores.

“Há caminhos que não estão acertados: temos tantas ações, tão importantes, como o programa de luta contra a pobreza, desenvolvido pelo Governo Regional e que apanha todas as áreas, mas é preciso; é preciso que todos se empenhem” acrescenta o prelado, lembrando que desde os próprios pobres às comunidades cristãs de forma organizada, todos têm de se envolver neste combate.

“Uma das principais responsabilidades de uma comunidade cristã organizada é ajudar e integrar os seus pobres dando-lhes confiança e esperança de que são capazes de vencer a pobreza”, esclarece o bispo de Angra nesta entrevista, em jeito de balanço do ano pastoral que esteve pelo terceiro ano consecutivo centrado nas questões da pobreza e da pastoral social. De resto, na sua mensagem para este Natal, o prelado volta ao assunto falando em “ vergonha” por ainda haver tanta pobreza nos Açores.

Nesta entrevista, o bispo de Angra fala da Paz , que é necessária no mundo e que assenta no desenvolvimento sustentado e equilibrado entre os povos, e dos escândalos que têm afetado a Igreja, nomeadamente a questão da pedofilia.

No seu primeiro pronunciamento público sobre este tema, D. João Lavrador defende a urgente “purificação da Igreja” e não poupa elogios à “firmeza e valentia” com que o Papa Francisco tem tratado o assunto.

“O problema dos abusos sexuais é muito sério mas, infelizmente, não é  único que afeta a Igreja, como o Papa de resto tem sublinhado. O poder, o clericalismo, o dinheiro são problemas igualmente importantes” refere o bispo de Angra.

“A pedofilia é uma das coisas mais horrorosas que alguma vez vivemos dentro da igreja e da sociedade; é preciso encontrar todos os meios para a combater cientes de que o pecado e o mal humano irão sempre persistir”, frisa ainda.

Nesta entrevista o prelado insular fala também da hipótese das Jornadas Mundiais da Juventude em 2022 se realizarem em Portugal.

“Há uma candidatura, a par de mais duas, e temos de esperar pela decisão do santo Padre. Mas ele é nosso amigo e rezamos para que ele decida que as Jornadas são em Portugal”, afirma D. João Lavrador destacando que Portugal é hoje uma igreja particular com grande visibilidade.

“Fátima é um fenómeno muito importante para a visibilidade da Igreja e a visita do Papa a Fátima, por ocasião do Centenário, confirmou essa visibilidade que há muito decorre das apostas pastorais de longa data que nunca prescindiram da religiosidade do povo no seu todo” adianta o bispo de Angra sublinhando que Portugal, e Fátima é disse um exemplo, “ nunca deixou de ter a noção de que a igreja é povo de Deus e manifesta a sua religiosidade de várias formas”.

A entrevista ao bispo de Angra, conduzida por Tatiana Ourique, pode ser ouvida este domingo a partir do meio dia no Rádio Clube de Angra, na Antena 1 Açores ou aqui no sítio Igreja Açores.