D. João Lavrador presidiu à celebração do primeiro centenário da igreja da Ribeira Quente e à sua dedicação

Um dos grandes males do nosso tempo “é a falta de força evangelizadora”, disse esta tarde o bispo de Angra durante a celebração que assinala o primeiro centenário da Igreja Paroquial da Ribeira Quente, que hoje foi dedicada.

D. João lavrador exortou os açorianos a não perderem essa força evangelizadora que se traduz na “vontade de evangelizar” mas também de “ser evangelizado”.

“Cada pessoa limita-se à sua opinião muitas vezes formada segundo os critérios do mundo e não dá espaço para que seja o Evangelho a edificar o seu pensamento e a informar as suas atitudes, opões e valores. Por isso, podemos dizer que é urgente deixar-se evangelizar” afirmou o prelado durante a homilia da Missa de ação de graças pelos cem anos desta igreja e da comunidade que a dinamiza.

“O projecto evangelizador da Igreja, de cada comunidade cristã, de cada família e de cada baptizado integra a vocação como apelo que Jesus Cristo dirige a cada pessoa para a tornar seu discípulo e a missão de ser Apóstolo na Igreja e no mundo” prosseguiu.

O responsável pela igreja católica insular sublinhou a “alegria e festa” que representa esta celebração do centenário que deve “interpelar e enviar” cada um dos seus membros ao encontro dos outros.

“Esta Igreja da qual celebramos em alegria e festa o seu centenário de vida é sinal da presença de Jesus Cristo no meio do Seu povo ao qual interpela e envia. A proclamação da Boa Nova se for autêntica terá de despertar o desejo de seguir a Jesus Cristo” afirmou o prelado diocesano, lembrando que a missão de anunciar a boa noticia da salvação “continua a ser hoje a missão da Igreja, de cada comunidade cristã e de cada baptizado”. E, embora reconheça que se trata de uma missão exigente, o bispo de Angra pede aos ribeiraquentenses, em primeiro lugar, mas a todos os cristãos açorianos em geral, para se inspirarem no exemplo dos seus antepassados.

“Com o olhar agradecido, contemplando este templo, somos conduzidos até ao interior de uma comunidade cristã que ao longo destes cem anos soube acolher a Boa Noticia da Salvação e a soube transmitir por palavras e pelo testemunho de vida”, concluiu sublinhando que a igreja tem de ser “o lugar da misericórdia gratuita, onde todos possam sentir-se acolhidos, amados, perdoados e animados a viverem segundo a vida boa do Evangelho”.

A Missa solene comemorativa dos cem anos da Igreja da Ribeira Quente e sua dedicação inserem-se na festa desta freguesia piscatória em honra de São Paulo, que decorre até dia 26 de setembro e é presidida pelo Pe João António das Neves, atual Vigário Episcopal para o Ocidente.

A festa começou no dia 17 e terminará no dia 26 com o chamado “Enterro das Espinhas”, como salienta o programa a que o Igreja Açores teve acesso.

O dia 24, domingo, é o dia principal da festa com missa solene e procissão acompanhada  pelas filarmónicas União Progressista de Vila Franca do Campo; Marcial Troféu da Povoação; Nossa Senhora da Penha de França, de Água Retorta; Sagrado Coração de Jesus do Faial da Terra; Harmónica Furnense e São Paulo da Ribeira Quente.

Sendo uma data “muito especial” refere um comunicado da paróquia, a procissão de São Paulo, que sairá pelas 17h00, “está a ser preparada com muito carinho pelo povo da Ribeira Quente” e as principais ruas da freguesia “estarão encerradas ao trânsito a partir das 16h00” havendo dois parques de estacionamento para onde serão encaminhadas todas as viaturas, nomeadamente junto à praia do Fogo e na Avenida 31 de outubro.

No dia 25, pelas 16h00 haverá a procissão “da Migalha”, com o habitual sermão no Porto da Ribeira Quente e bênção dos utensílios da faina marítima, e às 20h00 será apresentado o livro do Tombo, da Paróquia de São Paulo.