Romarias quaresmais sairam para a estrada este sábado. 54 ranchos desafiam caminhos e veredas em penitência pela conversão

Os 54 ranchos de Romeiros que se farão à estrada a partir de hoje e durante toda a Quaresma até quinta-feira santa, altura em que recolherão os últimos ranchos, levam na bagagem a intenção de rezar pela “renovação da Igreja diocesana à luz do Evangelho” e pela “santificação dos sacerdotes” da diocese.

As orações foram `encomendadas´ pelo bispo diocesano que acrescentou a estas duas preces mais 10 para os romeiros terem em conta durante a Romaria: pelas vocações sacerdotais, consagradas, religiosas e missionárias ; pelas famílias da diocese ; pelos jovens para que descubram a Jesus Cristo e O sigam ; pelos leigos empenhados na evangelização da diocese ; pelos pobres e excluídos da diocese ; pelos que vivem sem trabalho e sem dignidade ; pelos idosos e doentes que vivem na solidão ; pelas intenções do Santo Padre e do Bispo da diocese ; pelas crianças e adolescentes da catequese e seus catequistas para que sintam a alegria de conhecer, amar e seguir a Jesus Cristo e por todos os que estão investidos em autoridade para que governem servindo a dignidade da pessoa e o bem comum.

D. João Lavrador termina o documento, que enviou aos romeiros, com votos que as romarias “corram bem, sejam tempo de santificação pessoal e comunitária”.

As romarias, que também decorrem na ilha Terceira e na Graciosa, seguindo o mesmo regulamento que é aplicado pela Associação Movimento de Romeiros de São Miguel, onde a expressão e dimensão é maior, envolverão cerca de dois mil homens que todas as semanas, durante o período da Quaresma percorrerão as estradas de São Miguel, dando a volta à ilha a pé, parando em todos os templos marianos, onde rezarão.

A direção do Movimento, que é responsável juntamente com os lideres dos ranchos de organizar logisticamente todas as romarias, enviou um conjunto de recomendações aos romeiros lembrando que o tempo da romaria é um momento de “afinidade especial, com Deus, com os Homens e consigo próprios”.

“Que sejam momentos marcantes de Amor, Humildade, Oração e Partilha, contribuindo acima de tudo com as atitudes, para tocar o coração de cada pessoa, que escuta o cantar dolente da Ave-Maria, nos oito dias de caminhada, de busca incessante de ser cada dia melhor Cristão”, refere o documento a que o sítio Igreja Açores teve acesso.

Para além das questões de ordem prática, relativas à segurança e ás deslocações, a direção do Movimento sublinha, com particular destaque, as questões relativas à vivência da fé e da partilha entre irmãos e entre o grupo e quem os acolhe.

“Testemunhando sempre, na caminhada, nos descansos, nas refeições, nos encontros e particularmente na pernoita, um verdadeiro comportamento de peregrinos, com espírito de penitência, de humildade, de respeito, de sermos sempre exemplos vivos de discípulos de Cristo”, referem os romeiros pedindo uns aos outros que sejam “comedidos, discretos, humildes” e, sobretudo, estejam centrados no essencial da Romaria alheando-se de aspetos mais mundanos como sejam o uso do telemóvel e das redes sociais.

“Devemos ser comedidos, discretos e humildes, nos nossos desejos e vontades durante a Caminhada; nas refeições, encontros de família e pernoitas, sendo sempre exigentes connosco e tolerantes com todos os outros”, refere o documento.

À semelhança do que aconteceu nos últimos anos, os Romeiros terão no aeroporto João Paulo II em Ponta Delgada, três manequins vestidos de romeiros, a informar a existência das romarias e assim garantirem uma maior atenção por parte dos condutores, sobretudo dos que visitam a ilha neste período. Acrescem spots publicitários nas rádios. Também este ano, durante o período da Quaresma até à Semana Santa, haverá uma exposição intitulada Vozes da Avé Maria, no auditório Engenheiro Hermano Mota, na Maia. Trata-se de uma iniciativa promovida pela Santa Casa da Misericórdia no âmbito da comemoração do seu centenário. A inauguração está agendada para dia 6 de março, quarta-feira de cinzas, ás 16h00.

As romarias quaresmais açorianas terão surgido na sequência de terramotos e erupções vulcânicas ocorridas no século XVI na ilha de São Miguel, que arrasaram Vila Franca do Campo e causaram grande destruição na Ribeira Grande.

Milhares de homens, organizados em ranchos, por freguesia, dão a volta à ilha, a pé, rezando o terço, durante oito dias, parando em todas as igrejas e dormitando nos lares das comunidades por onde passam, onde são acolhidos voluntariamente.