Entrevista a João Carlos leite, presidente da Associação Movimento Romeiros de São Miguel

As romarias iniciaram-se hoje em São Miguel e 54 ranchos, mobilizando cerca de dois mil homens, andarão na estrada todas as semanas até quinta feira-santa, altura em que recolhem os últimos ranchos.

Para o Presidente da Associação Movimento de Romeiros de São Miguel, João Carlos Leite, uma das grandes preocupações que deve merecer a análise de todos é a diminuição registada no número de jovens que caminham pela primeira vez.

“Depois de um grande acréscimo de crianças e jovens este ano e já no ano passado notámos um decréscimo e isso não é bom para as romarias” refere o dirigente numa entrevista ao Igreja Açores.

“Trata-se de uma consequência da sociedade pois aquilo que vemos é uma cada vez menor participação dos jovens em tudo. Preferem as redes sociais e entregam-se a um grande comodismo. Notamos isso na catequese, na participação na Eucaristia”, acrescenta, lembrando que há três ou quatro anos, só no rancho de Ponta Garça, saíram 15 crianças e jovens pela primeira vez. “Este ano não temos nenhum” afirma preocupado.

“Quero pensar que seja uma situação pontual. Com o testemunho dos que vão talvez possamos alterar estas coisas, mas este é um problema sobre o qual devemos ter uma atenção especial”, avança ainda.

Na entrevista ao Igreja Açores, o dirigente fala também da candidatura das romarias a Património Imaterial da Humanidade da Unesco.

“A vontade de evoluir com esta candidatura existe e está aprovada desde outubro; já contactamos investigadores e responsáveis governamentais. Vamos fazer o mesmo com as autarquias para que nos dêem o apoio. Depois das romarias vamos iniciar este trabalho”, adiantou ao Igreja Açores.

As romarias de São Miguel completam 500 anos em 2022 e têm um regulamento próprio, que já é seguido também pelo Rancho da ilha Terceira e pelo Rancho da ilha Graciosa.

“Os ranchos este ano têm uma dimensão menor o que nalguns casos pode ser problemático pois há ranchos que não têm mais de 20 irmãos” refere ainda  João Carlos Leite que, no entanto, lembra que a identidade dos ranchos “não se pode perder. É bom que sejam ranchos ligados a paróquias e cada um tem a sua própria identidade”.

Entre os Romeiros há muitos elementos da diáspora que ora se integram nos ranchos das suas freguesias de origem ou integram outros ranchos com os quais costumam sair.

“Esperamos que todos tenham uma boa caminhada do ponto de vista físico e espiritual. Que tenhamos uma vivência adequada e que sejamos verdadeiras testemunhas, comedidos e discretos não só na caminhada mas também junto das famílias”, avança ainda.

“Rezamos sempre muito pela nossa diocese, pelo bispo, pelos seminaristas, pelos sacerdotes; são oito dias de vivência muito intensa e dá para rezar por todos”, conclui.

“Os romeiros chegam transformados, fruto dessa interioridade e dessa oração que é feita” remata.