“Se este Colégio fechasse Ponta Delgada ficaria mais pobre”- Ir. Almerinda Alves

O Colégio de São Francisco Xavier é o maior centro de evangelização da ilha de São Miguel, pelo número de alunos, de famílias e de pessoas que acolhe ano após ano, desde 1893, quando chegaram as primeiras irmãs de São José de Cluny à ilha. Este ano, a Capela do Colégio é uma das igrejas jubilares da Congregação, que está a viver os 75 anos da beatificação da sua fundadora, Ana Maria Javouhey

Foto: Colégio São Francisco Xavier (arquivo)

O ambiente no Colégio é igual ao de sempre. São 15h00, de uma quinta-feira, quase véspera de fim-de-semana. Carros a chegar, carros a partir. Desde o parque de estacionamento até ao primeiro andar, sente-se diariamente uma azáfama cheia de vida e de alegria, onde o entusiasmo contagiante das crianças se mistura com o acolhimento caloroso dos profissionais que acompanham cada aluno com dedicação e carinho.

A presença atenta e a amabilidade das Irmãs, que há 133 anos gerem esta instituição com espírito de missão e proximidade, conferem ao Colégio ( desde 1959 no atual edifício) um ambiente familiar, humano e profundamente inspirador, onde a tradição, os valores e a educação caminham lado a lado, dentro da matriz católica.

Este ano, há, contudo, motivos redobrados para comemorar: a Capela do Colégio é uma Igreja jubilar por conta do decreto do Vaticano que concedeu às irmãs de São José de Cluny a graça de celebrar especialmente o Jubileu dos 75 anos da beatificação da sua fundadora, Ana Maria Javouhey. Por isso, o acontecimento considerado histórico pela comunidade educativa e religiosa, tem sido pretexto para a intensificação de atividades que se têm pautado pelo acolhimento de todos os cristãos que peregrinam ao local e cumprem os preceitos determinados pela Santa Sé com vista à obtenção de uma graça especial, a começar pelos alunos e as suas famílias, mas também pelos romeiros e outras pessoas que ali se têm deslocado.

Para alunos, professores, famílias e religiosas, o momento representa muito mais do que um reconhecimento oficial: é vivido como um tempo de esperança, renovação espiritual e graças especiais.

A irmã Almerinda Alves, superiora da comunidade, atualmente com cinco religiosas, a mais nova com pouco mais de um ano de votos, não escondeu a emoção ao falar sobre o significado deste marco para o Colégio.

“Recebemos esta notícia com o coração cheio de gratidão. É uma graça imensa para a nossa comunidade e para todos aqueles que aqui chegarem em busca de oração, paz e reconciliação com Deus”, afirmou.

Segundo a religiosa, viver o Jubileu significa abrir espaço para uma experiência mais profunda de fé e de encontro com o próximo.

“O Jubileu lembra-nos que Deus é misericórdia. É um tempo para recomeçar, para fortalecer a esperança e para aprendermos a olhar os outros com mais amor e fraternidade”, explicou.

A irmã destacou ainda que a capela sempre foi um espaço muito especial dentro da vida do Colégio, acolhendo momentos de oração, celebrações e encontros espirituais ao longo dos anos.

“Esta capela guarda a história de muitas gerações. Aqui passaram crianças que hoje são adultos, famílias inteiras, antigos alunos e pessoas que encontraram conforto nos momentos difíceis. Tornar-se Igreja Jubilar dá ainda mais sentido à missão que realizamos”, acrescentou.

Também a diretora pedagógica, a irmã Domingas Lisboa, considera que o reconhecimento fortalece a identidade humana e cristã da instituição.

“O Colégio sempre procurou educar não apenas para o conhecimento, mas também para os valores humanos e espirituais. Este momento vem reforçar aquilo que somos”, afirmou.

Para a responsável, o Jubileu é igualmente uma oportunidade de aprendizagem para os estudantes.

“Os nossos alunos estão a perceber que a fé também se vive em comunidade, através da solidariedade, da partilha e do cuidado com o próximo. É uma experiência muito rica para todos nós”, disse.

Fundado com a missão de formar crianças e jovens à luz dos valores cristãos, o Colégio construiu uma trajetória marcada pela dedicação à educação e ao serviço da comunidade. Ao longo dos anos, tornou-se uma referência não apenas pelo ensino, mas também pelo ambiente de acolhimento e proximidade humana que oferece às famílias.

Com a elevação da capela à condição de Igreja Jubilar, a instituição passa a integrar oficialmente os locais de peregrinação ligados às celebrações jubilares da Igreja Católica. De acordo com o decreto da Penitenciaria Apostólica, os fiéis que visitarem a capela, participarem das celebrações e cumprirem os requisitos estabelecidos – como a confissão sacramental, a comunhão eucarística e a oração pelas intenções do Papa -poderão receber a indulgência plenária.

“Queremos que todos sintam que esta casa está de portas abertas. O Jubileu é um convite à esperança e à fraternidade”, salientou ainda a irmã Almerinda Alves.

A11 de outubro de 1959 foram inauguradas as atuais instalações, na Rua Agostinho Pacheco, em Ponta Delgada, iniciando a sua atividade a 15 de outubro do mesmo ano, sob a orientação dos Diretores Padre José Gomes e Maria Luísa de Almeida Fernandes.

É uma instituição que está ao serviço da educação e tem como linha orientadora a pedagogia Cluny, que assenta na pessoa, na personalidade e na visão educativa de Ana Maria, uma mulher de vistas largas, sempre fiel e criativa por cuja canonização se reza hoje com uma oração própria distribuída a todos os que entram na capela onde está também uma relíquia de primeiro grau, para veneração.

Com 245 alunos, da creche ao sexto ano e com 16 estudantes universitárias a residirem nas instalações do Colégio, esta é uma casa grande que também por isso tem de ser gerida de uma forma criteriosa.

“Julgo que todos deveríamos olhar para estas escolas como modelos a seguir pelos valores que transmitem e por o que aqui se ensina. Creio que se o colégio fechasse, Ponta delgada não seria a mesma cidade e ficaria decerto mais pobre”, diz a irmã Almerinda Alves, pedagoga desde sempre, e formada no acompanhamento espiritual de jovens, uma aposta da Congregação que sempre procurou formar superiormente as suas religiosas.

Muitas instituições, e esta não é excepção, enfrentam dificuldades crescentes para apoiar famílias com menores recursos financeiros, que desejam proporcionar uma educação de qualidade aos seus filhos, mas têm dificuldade em suportar as mensalidades e outras despesas escolares. Por isso, é fundamental que exista um maior apoio por parte do Estado, das autarquias e da sociedade civil, através de bolsas, comparticipações e incentivos que permitam garantir a igualdade de oportunidades.

A educação inclusiva,  capaz de acolher alunos de diferentes contextos sociais e de evitar que as dificuldades económicas impeçam o acesso a um ensino de qualidade e a um ambiente educativo baseado em valores humanos e comunitários, tem sido sempre um dos objetivos deste Colégio, que agora se transforma também numa Igreja aberta a todos, pelo menos até 15 de outubro deste ano.

A Congregação das Irmãs de São José de Cluny é uma comunidade missionária internacional com cerca de 2.600 Irmãs presentes em mais de 50 países. Em Portugal, a missão da Congregação realiza-se nas dioceses de Braga, Bragança, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria, Santarém, Lisboa, Évora, Funchal e Angra do Heroísmo.

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