Chama da operação de Natal «10 Milhões de Estrelas – Um Gesto Pela Paz» enviada às dioceses

O presidente da Cáritas Portuguesa disse à Agência ECCLESIA que a instituição acompanha a realidade nacional de “instabilidade” e pede uma política que seja “um serviço ao bem comum”, principalmente contra as “maiores batalhas”, como o desemprego.

“[Os políticos] deixem interesses gratuitos da conquista do poder pelo poder, que coloquem de parte ideologias que não permitem a assunção de compromissos comuns para se vencerem batalhas como a do desemprego, do trabalho precário, dos baixos salários, da falta de proteção social”, explicou Eugénio Fonseca.

Após a reunião do Conselho Geral da Cáritas Portuguesa, o presidente da organização católica observou que os políticos deviam estar “mais preocupados com o bem-estar das pessoas” não esquecendo que “há muitas crianças infelizes”.

“Somos um país onde a pobreza infantil aumentou substancialmente e tendo pai e mãe continuam a não ter condições de vida e essas devem ser protegidas pelo aumento de rendimentos das famílias a que pertencem”, alertou.

A reunião da Cáritas concluiu-se este domingo com a celebração da Eucaristia na Basílica da Santíssima Trindade, em Fátima, onde foi entregue a luz da paz às dioceses marcando o início da operação de Natal «10 Milhões de Estrelas – Um gesto pela paz».

“Ao adquirirem uma vela, os portugueses estão a contribuir para ajudar os mais desfavorecidos: primeiro nas dioceses, 65% desse valor; 35% irá para nos juntarmos a projetos da Plataforma de Apoio aos Refugiados e outros, procurando que as pessoas fiquem mais próximas dos países de origem”, explica Eugénio Fonseca.

O presidente da Cáritas Portuguesa revelou ainda que se refletiu “bastante o rejuvenescimento” da pastoral social em Portugal e esta campanha pode ser uma “estratégia para aproximar os jovens” da dimensão de serviço que a Igreja tem na sua missão evangelizadora.

Neste contexto, o coordenador desta operação de Natal é o diretor do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, para quem o “desafio” é que em cada paróquia, nas escolas, nos movimentos juvenis, na pastoral universitária, “em todos os âmbitos”, cada um se sinta “portador da luz”.

“Este ano a campanha decorre com esta sensibilidade particular, mais sensível, não apenas como voluntários mas sementes de esperança, sermos capazes de apontar rumos de esperança”, desenvolveu o padre Eduardo Novo.

O coordenador da operação «10 Milhões de Estrelas – Um gesto pela paz» 2015 convida todos a contribuir e a “marcar a diferença” em gestos concretos de “construção de paz”.

Nesta reunião também foi refletida a realidade internacional, em concreto o “grande desafio” que são os refugiados para a Europa e a demonstração de “incapacidade” em “responder” a este problema dramático pela ordem de grandeza”.

Segundo Eugénio Fonseca, o Conselho Geral manifestou “preocupação” face às ações de grupos fundamentalistas que “não se importam de sacrificar vidas inocentes”.

A 21.ª Conferência da ONU sobre Alterações Climáticas, entre 30 de novembro e 11 de dezembro, em Paris, também esteve na agenda do Conselho Geral da Cáritas, que espera “decisões sérias e honestas”.

CR/Ecclesia