Após dez dias de visita pastoral à ouvidoria de Vila Franca do Campo, D. Armando Esteves Domingues, destacou a necessidade de renovar estruturas e envolver mais famílias e jovens na vida da Igreja, sublinhando, contudo, a vitalidade e organização já existentes nas comunidades locais

O balanço da visita pastoral de D. Armando Esteves Domingues à antiga capital de São Miguel é globalmente positivo, mas deixa desafios claros para o futuro. Ao longo de dez dias, o prelado percorreu paróquias, instituições sociais, escolas e comunidades, num contacto direto que classificou como “uma oportunidade única” para conhecer a realidade local e fortalecer a comunhão entre a diocese e as paróquias.
O bispo de Angra, em declarações ao sítio Igreja Açores destacou três eixos fundamentais da visita: o conhecimento das comunidades, a proximidade com as pessoas e a identificação de desafios pastorais.
“Conheci muita gente, instituições, paróquias e pude perceber como vivem e aplicam os projetos da diocese”, afirmou, sublinhando a importância de uma Igreja próxima, presente junto de crianças, jovens, idosos e doentes.
Entre as principais conclusões, D. Armando apontou dificuldades na renovação dos órgãos pastorais e a necessidade de encontrar novas formas de envolver as famílias.
“Sem as famílias não há verdadeira catequese”, alertou, acrescentando que é urgente adaptar os modelos atuais para garantir maior participação e corresponsabilidade.
A juventude surge também como um setor prioritário. Apesar da existência de iniciativas e grupos, o prelado diocesano reconhece que muitos jovens estão numa fase de procura e que é necessário consolidar a sua integração na vida comunitária. Outro desafio identificado prende-se com a sobrecarga de alguns agentes pastorais, o que limita a capacidade de resposta, nomeadamente no acompanhamento a doentes.
Por isso, D. Armando Esteves Domingues pede que exista uma maior “exclusividade” nas tarefas da Igreja de forma a que cada ministério que “resulta de um dom” seja aproveitado ao máximo, sem “sobrecargas”.
Já o ouvidor, padre José Borges, descreveu a visita como um tempo de graça e proximidade, afastando a ideia de uma mera formalidade.
“Não foi para averiguar ou cumprir calendário, mas para passar do saber das coisas para as coisas do saber, que têm mais a ver com Deus”, afirmou.
O sacerdote destacou a autenticidade do encontro entre o bispo e as comunidades, sublinhando a partilha “sincera” e o empenho dos fiéis.
Sobre os desafios, o ouvidor reconhece a necessidade de renovação contínua.
“A Igreja que se instala naquilo que já tem acaba por se fechar. Há muito para fazer e renovar”, disse, apontando a aposta na formação, na catequese e no envolvimento de novos membros como caminhos para o futuro. Defendeu ainda uma pastoral centrada na espiritualidade, na família e na juventude, bem como uma Igreja marcada pela proximidade e entusiasmo.
Também o coordenador do Conselho Pastoral de Vila Franca do Campo, Carlos Vieira, faz um balanço “muito positivo”, destacando a alegria das comunidades e a proximidade do bispo.
“Foi notória a satisfação de todos ao receber o Sr. Bispo e também a satisfação dele em conhecer as nossas realidades”, referiu.
Carlos Vieira considera que a ouvidoria está “no bom caminho”, embora reconheça a necessidade de melhorias. Entre os desafios práticos, destacou a importância de dar continuidade ao percurso de fé das crianças e jovens após os sacramentos e reforçar o papel das famílias. “Não podemos ter Deus como pai se não tivermos a Igreja como mãe”, afirmou, sublinhando a necessidade de manter viva a participação das novas gerações.
Bispo de Angra encerra visita pastoral com apelo a uma Igreja “mais unida, familiar e sinodal”