Sacerdote presidiu à Missa da Solenidade de Nossa Senhora do Carmo em Angra, concelebrada pelo reitor da Igreja do Colégio, Cón. João Maria Mendes

O diretor do Serviço Diocesano da Pastoral das Comunicações Sociais desafiou este domingo os cristãos a fazerem uma espécie de radiografia espiritual, a partir do coração, e avaliarem que terra são e que terra preparam para o acolhimento da palavra de Deus.

Durante a homilia da Missa da festa, que assinala em Angra do Heroísmo a Solenidade de Nossa Senhora do Carmo, e que esta tarde trará às ruas da cidade património uma procissão, o Cónego Ricardo Henriques dirigiu-se aos cristãos desafiando-os a abrirem o coração à palavra de Deus.

“Uma boa colheita não depende nem do semeador nem da qualidade da semente pois a semente de Deus e o semeador, que é Jesus são sempre bons” disse o sacerdote sublinhando que ele lançou a semente “em várias direções” mas “ontem como hoje nem sempre germina”.

“Jesus, como nós hoje, encontrou dificuldades na aceitação da sua palavra. Tal como nesse tempo há hoje quem não acredite; gente que ouve, gosta mas logo desiste de a seguir; gente que não compreendia e que não compreende porque é uma palavra tantas vezes contra o que está estabelecido e que põe em causa tantas coisas”, referiu o vice –reitor do Seminário Episcopal de Angra que presidiu a esta Missa da Solenidade de Nossa Senhora do Carmo que habitualmente era celebrada na Igreja do Colégio de Angra e que foi mudada para a Sé devido as obras que decorrem há cerca de um ano.

“A palavra de Jesus não era ineficaz; Ele lança a palavra de Deus em várias direções e os frutos dessa palavra dependem da qualidade da terra onde cai”, prosseguiu o sacerdote.

“Hoje tal como naquele tempo são muitas as terras; por isso é bom que nos perguntemos: que tipo de terreno somos nós. Muitas vezes questionamos o pregador, que tal interrogarmo-nos sobre  a nossa atitude de ouvintes;  como é que oiço a palavra do Senhor”, referiu o Cónego Ricardo Henriques.

E, prosseguiu: “Que semeadores somos nós: cuidamos os nossos terrenos, o dos nossos filhos, retiramos-lhes os espinhos; na família, na catequese, na liturgia procuramos aplanar os terrenos, onde procuramos lançar a semente, como discípulos que somos?”.

“A parábola de Jesus é uma parábola de esperança, simples e cheia de misericordia. Ele é um semeador e nós,  como ele, também devemos ser” avançou lembrando que “O que importa é semear sempre o grão da esperança; o sorriso para que resplandeça à nossa frente;  a boa energia para ultrapassar as tristezas da vida” acrescentou destacando que assim se conseguirá “dar um bom testemunho de fé”, semeando “a coragem para ajudar os outros”.

“A palavra de Deus não é meramente informativa; o Evangelho é performativo, porque transforma da realidade da nossa alma e do nosso coração. Quando lemos o Evangelho é Deus que se revela na nossa linguagem humana e  quando essa leitura e escuta é feita com fé é transformadora do nosso coração”, concluiu.

A Missa dominical da Sé, concelebrada pelo reitor da igreja do Colégio, Cónego João Maria Mendes, contou com a participação de várias fraternidades da Ordem Terceira.

A Igreja do Colégio dos Jesuítas, em Angra do Heroísmo, está encerrada para obras de reabilitação, desde 29 de agosto. As obras de reabilitação das coberturas e de conservação dos elementos decorativos em talha na Igreja do Colégio dos Jesuítas fazem parte de uma empreitada adjudicada por cerca de 416 mil euros, e com um prazo de execução de 547 dias, sendo constituída por dois tipos de trabalhos diferenciados.

Numa primeira fase, que terá uma duração aproximada de quatro meses, serão executados os trabalhos de reforço da estrutura da cobertura do altar-mor e, na fase seguinte, com uma duração de cerca de 14 meses, os trabalhos relativos à conservação das talhas do altar-mor e nas capelas laterais da igreja.

Também a cidade da Horta vive hoje esta solenidade de uma forma muito particular, depois de um novenário sob o tema “A Santidade, um caminho de vida para todos”.

A Missa Solene, seguida de procissão, será celebrada às 18h00.

Esta missa tem a particularidade de ser a missa de entrada e de profissão de fé dos Carmelitas. O pregador será o diácono Nelson Pereira, que no próximo dia 1 de novembro será ordenado presbítero na Sé de Angra. A animação ficará a cargo do canto “Stella Maris” (Coro do Convento do Carmo), seguindo-se a procissão de Nossa Senhora do Carmo.

Durante o fim de semana e associada a esta festa está a decorrer um programa cívico com a atuação de um grupo folclórico- Baile de Chamarritas de Pedro Miguel- ; do grupo Sons do Vale e Conjunto Onda Jovem. O programa termina com um concerto da Filarmónica Nova Artista Flamenguense.

As receitas da festa decorrem a favor do restauro da Igreja do Carmo. Depois do investimento feito na recuperação da Capela e nas obras de contenção do estado avançado de degradação desta igreja- recuperação de parte do sobrado e resolução das infiltrações- a reitoria não dispõe de verbas suficientes para iniciar a obra de recuperação da igreja.

A Ordem Terceira procedeu há dois anos à recuperação da Capela onde se celebra semanalmente e desde então a Eucaristia dominical.

Nossa Senhora do Carmo (ou Nossa Senhora do Monte Carmelo) é um título consagrado à Virgem Maria. Este título apareceu com o propósito de relembrar o convento construído em honra da Santíssima Virgem Maria nos primeiros séculos do Cristianismo, no Monte Carmelo, em Israel. A principal característica desta invocação mariana é apresentar o Escapulário do Carmo, símbolo que representa o ato de se estar ao serviço do Reino de Deus e que traz muitas indulgências, graças e outros benefícios espirituais a quem assume este sinal e esta proposta como seus.

A sua festa litúrgica é comemorada pelos cristãos no dia 16 de Julho.