Clero açoriano sublinha opção pelos pobres e prioridade no combate às periferias

O Conselho Presbiteral mostrou-se “favorável” à convocação de um Sínodo “quando for oportuno”, sobretudo na sequência da radiografia que está a ser “tirada” à realidade eclesial, cultural e social da Diocese de Angra e que esteve em análise na 40ª sessão plenária que terminou hoje, em Ponta Delgada.

Nas ao prelado diocesano, os mais altos responsáveis pelo clero equacionam a possibilidade de prosseguir este “levantamento”, avaliando também a realidade paroquial nomeadamente ao nível da pastoral desenvolvida.

“O que fazemos enquanto padres”, “como nos relacionamentos com os nossos leigos”, “como se desenvolve o apoio aos doentes e mais necessitados de cada um das paróquias dos Açores”; “como se faz o acolhimento paroquial, são algumas das questões que os sacerdotes querem agora ver esclarecidas na senda daquele que é trabalho de “avaliação da realidade diocesana”, mas desta vez mais centrada nas questões das paróquias que nos Açores são 165, algumas delas com experiências de “gestão” in solidum.

A proposta foi avançada no final dos trabalhos e secundada por alguns sacerdotes, não tendo, no entanto, ficado definido em que moldes a questão será efetivamente tratada.

No comunicado final deste Conselho Presbiteral que pela primeira vez se realizou fora da ilha Terceira, nomeadamente no recém inaugurado Centro Pastoral Pio XII, em Ponta Delgada, a igreja deixa uma palavra especial para as “famílias açorianas que neste momento de crise passam por inúmeros problemas desde o desemprego ao agravamento das condições materiais até á desestruturação da própria família”. Aliás, este foi um dos temas retratados no Instrumento de Trabalho que foi analisado durante os quatro dias do Conselho Presbiteral.

Recorde-se que o Instrumento de trabalho, realizado a partir da auscultação das estruturas intermédias da diocese, nomeadamente ouvidorias e serviços diocesanos, sublinha algumas “fragilidades” ao nível da “vitalidade espiritual e religiosa, do empenhamento e formação de leigos e do clero”; denuncia

“um progressivo abandono progressivo da vida comunitária paroquial; uma forte religiosidade popular que necessita de análise mais aprofundada, discernimento e maior acompanhamento pastoral” e aponta para a necessidade da Igreja “atualizar a sua linguagem aos tempos hodiernos, numa atitude mais evangelizadora”.

Os sacerdotes apontam ainda para uma “denúncia mais corajosa e clara; uma necessidade de sair de uma pastoral de manutenção e de ter uma presença mais missionária na sociedade”.

O conselho insiste, também, na necessidade de “um efetivo acompanhamento dos presbíteros e a vantagem de estabilização do movimento anual das nomeações dos párocos”.

Para dar resposta a um melhor acompanhamento dos sacerdotes, à sua fomação e também à dos leigos, o Conselho propõe ao Bispo de Angra a “revitalização do Instituto de Cultura Católica, articulado com o Seminário Episcopal de Angra, e propôs uma alteração da sua designação para Instituto Católico de Cultura.

Do ponto de vista pastoral, o Conselho Presbiteral destaca as vantagens de se começar a fazer ao nível da diocese uma “ planificação trienal”, em nome da estabilidade e do “aprofundamento” das respostas da Igreja.

Perante um “vasto” panorama de propostas de ação pastoral para o futuro, os conselheiros privilegiaram as seguintes: preparação, celebração e vivência do Jubileu da Misericórdia e a sua concretização na família, a coordenação e incrementação da ação social e o encontro com as periferias, valorizando as Obras de Misericórdia e o sacramento da Reconciliação.

De resto, nas palavras que dirigiu no encerramento dos trabalhos aos sacerdotes, D. António de Sousa Braga ressalvou a importância de todos se “centrarem” na Bula que convocou o ano jubilar -O Rosto da Misericordia- para “estarmos todos em comunhão” porque “a credibilidade da igreja passa pela estrada do amor misericordioso e do sacramento da reconciliação”.

Os conselheiros sublinharam, ainda, a importância das iniciativas a decorrer na Diocese no âmbito da celebração do Ano da Vida Consagrada.

O próximo Conselho Presbiteral ficou agendado para os dias 11 a 15 de abril de 2016, novamente no Centro Pastoral Pio XII em Ponta Delgada.

Ainda este ano, no último fim de semana antes do Advento, coincidindo com o domingo do Cristo Rei, realizar-se-à o Conselho Pastoral Diocesano