O Papa Francisco nomeou hoje D. José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), como bispo de Leiria-Fátima, sucedendo no cargo ao cardeal D. António Marto, que apresentou a sua renúncia.

O novo responsável, de 68 anos, estava à frente da Diocese de Setúbal desde 2015, ano em que foi ordenado bispo, depois de ter sido responsável mundial pela Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos).

A tomada de posse, na Catedral de Leiria, está marcada para 13 de março.

“Quero saudar D. António Marto, com quem fui aprendendo a fazer caminho de amizade e de serviço na Igreja, que muito estimo. Aprendemos a ser amigos, à sombra do Evangelho, e isso é sempre uma boa razão de viver na Igreja”, referiu D. José Ornelas, em declarações à Agência ECCLESIA.

“Tenho o gosto e o desafio de suceder-lhe nesta missão”, acrescentou.

O sexto bispo da Diocese de Leiria-Fátima desde a sua restauração, em 1918, deixou ainda uma palavra a D. Serafim Ferreira e Silva, bispo emérito, que liderou esta Igreja local entre 1993 e 2006.

“É esta tradição que eu quero aprender a conhecer melhor, com as gentes de Leiria, com o seu clero, com os religiosos e religiosas, os seminaristas, todos aqueles que fazem esta diocese”, indicou.

D. José Ornelas assume como projeto o de uma “Igreja sinodal”, dentro do processo iniciado pelo Papa Francisco no último mês de outubro e que decorre até 2023.

“Uma Igreja que conta com todos, que precisa de todos”, precisou.

“Quero convidar todos para esta Igreja sinodal que estamos a tentar construir, de que D. António foi um grande promotor. Espero que ele continue a inspirar-nos também e a ajudar-nos a viver esta Igreja em que todos participam ativamente e em que todos anunciam, como missionários, o Reino de Deus e um mundo melhor para todos, à luz do Céu que se revela em Maria, em Fátima, e que nos convida a aderir a Cristo e ao seu Evangelho”.

O bispo nomeado de Leiria-Fátima destaca o Santuário da Cova da Iria, “local muito especial, uma referência da presença de Deus na história e uma história complicada”, há mais de 100 anos, também numa “situação dramática de pandemia”.

“É nesse contexto que Maria aparece como a luz, a Senhora mais luminosa do que o sol, e aparece a três crianças, os mais pequenos, pobres, uma imagem do país dramático que era, particularmente para a infância, nesse tempo”, indica.

D. José Ornelas convida todos a construir um “mundo melhor”.

“Maria, mãe carinhosa da Igreja, mãe carinhosa dos mais pequenos, é a imagem da Igreja que nos queremos ser, como anunciadores neste mundo”, acrescenta.

O bispo dirigiu uma mensagem escrita à diocese, manifestando “emoção, alegria e esperança” perante a nova missão.

A Conferência Episcopal Portuguesa congratulou-se com esta nomeação, desejando a D. José Ornelas “um fecundo governo pastoral junto do Povo de Deus que lhe é confiado na Diocese de Leiria-Fátima e, de modo mais alargado, junto de todos aqueles que demandam ao Santuário de Fátima como peregrinos”.

D. José Ornelas Carvalho nasceu a 5 de janeiro de 1954, no Porto da Cruz (Madeira), tendo feito a sua formação religiosa na Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos); foi ordenado padre na sua terra natal, a 9 de agosto de 1981.

Especialista em Ciências Bíblicas, com o grau de doutor em Teologia Bíblica pela Universidade Católica Portuguesa, foi docente desta instituição académica entre 1983-1992 e 1997-2003.

Foi superior da Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus, cargo que assumiu a 1 de julho de 2000; seria eleito superior geral dos Dehonianos a 27 de maio de 2003, cargo que ocupou até 6 de junho de 2015.

Após estes mandatos, D. José Ornelas Carvalho tinha sido indigitado, a seu pedido, para uma missão em África; o Papa Francisco nomeou-o bispo de Setúbal, a 24 de agosto de 2015 e a sua ordenação episcopal teve lugar a 25 de outubro do mesmo ano, na Catedral da diocese sadina, onde tomou posse.

Em junho de 2020 foi eleito presidente da CEP.

A Diocese de Leiria, que tem por padroeiros Nossa Senhora de Fátima e Santo Agostinho, foi criada, a pedido do rei D. João III, pelo Papa Paulo III na bula ‘Pro excellenti’, a 22 de maio de 1545.

Extinta por motivos políticos em 4 de setembro de 1882, foi restaurada por Bento XV com a bula ‘Quo vehementius’, de 17 de janeiro de 1918; por decreto da Congregação dos Bispos (Santa Sé), de 13 de maio de 1984, confirmado pela bula ‘Qua pietate’, de João Paulo II, com a mesma data, foi dado à diocese o atual título de Leiria-Fátima.

Desde a sua restauração, em 1918, teve como bispos D. José Alves Correia da Silva, D. João Pereira Venâncio, D. Alberto Cosme do Amaral, D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva e, desde junho de 2006, D. António Augusto dos Santos Marto, a quem sucede D. José Ornelas.

Com mais de 250 mil habitantes, a diocese tem 1700 quilómetros quadrados, incluindo territórios pertencentes aos concelhos de Leiria, Marinha Grande, Batalha, Porto de Mós, Ourém e parte dos concelhos de Pombal, Alcanena e Alcobaça.

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