
O Papa apelou hoje no Vaticano ao fim dos conflitos armados internacionais, invocando a força do Espírito Santo para travar a violência bélica através da unidade e da oração.
“Rezemos hoje para que o Espírito do Ressuscitado nos salve do mal da guerra, que é vencida não por uma superpotência, mas pela omnipotência do amor”, pediu Leão XIV, na homilia da Missa de Pentecostes a que presidiu na Basílica de São Pedro.
“Rezemos para que Ele liberte a humanidade da miséria, que é redimida não por uma riqueza incalculável, mas por um dom inesgotável. Rezemos para que nos cure da ferida do pecado, pela redenção anunciada a todos os povos em nome de Jesus”, acrescentou, perante milhares de participantes.
A intervenção papal advertiu para mudanças que “não renovam o mundo, mas que o envelhecem entre erros e violências”.
“O Senhor derrama o Espírito da paz de um extremo ao outro da história, porque aquele que redimiu todos da morte não exclui ninguém”, observou.
A reflexão assinalou que a “reconciliação universal” constitui a única via para estabelecer o “código da paz” entre a humanidade.
“Esta paz provém do perdão e leva-nos ao perdão: começa com o perdão dado pelo próprio Jesus, que foi por nós traído, condenado e crucificado”, indicou Leão XIV.
O Papa instou as comunidades e os responsáveis religiosos a rejeitarem atitudes divisionistas, pedindo unidade para a Igreja, face ao perigo “das fações, das hipocrisias, das modas que obscurecem a luz do Evangelho”.
“O Espírito, que falou por meio dos profetas, promove sempre a unidade na verdade, porque suscita em nós compreensão, concórdia e coerência de vida”, disse.
A homilia falou ainda do “Espírito da missão”, que impele os cristãos a ir ao encontro dos outros, “transformando a confusão do mundo em comunhão”.
“Esta fé vive e expressa-se em cada boa ação, em cada ato de misericórdia e de virtude”, precisou Leão XIV.
A solenidade litúrgica do Pentecostes assinala-se 50 dias depois da Páscoa e evoca a efusão do Espírito Santo sobre os primeiros apóstolos, momento que os católicos assumem como o nascimento público da Igreja.
Leão XIV recitou posteriormente a oração do ‘Regina Caeli’ ao meio-dia de Roma, desde a janela do apartamento pontifício, reforçando a sua mensagem em favor da paz.
“Precisamos de redescobrir Deus como Pai que nos ama, de edificar uma Igreja onde todos se sintam em casa e de fazer crescer um mundo fraterno, onde reine a paz entre todos os povos”, apelou o pontífice.
A reflexão destacou a importância da comunhão e da fraternidade, inspiradas pela fé cristã.
“O Espírito Santo abre as portas dos nossos corações, ajudando-nos a vencer as resistências, os egoísmos, as desconfianças e os preconceitos, e tornando-nos capazes de viver como filhos de Deus e irmãos uns com os outros”, explicou o Papa.
Leão XIV deixou uma mensagem especial às comunidades católicas, pedindo que a Igreja seja “acolhedora e hospitaleira em relação a todos, mesmo aqueles que fecharam as portas a Deus, aos outros, à esperança e à alegria de viver”.
“Irmãos e irmãs, também nos nossos dias, especialmente neste dia de Pentecostes, devemos invocar o Espírito Santo, para que Ele abra as portas que permanecem fechadas. Precisamos de redescobrir Deus como Pai que nos ama, de edificar uma Igreja onde todos se sintam em casa e de fazer crescer um mundo fraterno, onde reine a paz entre todos os povos”, concluiu.
(Com Ecclesia e Vatican News)