Cardeal-patriarca desafia católicos a analisar programas eleitorais à luz da Doutrina Social

O cardeal-patriarca de Lisboa aconselhou os católicos a analisar programas eleitorais dos partidos portugueses à luz da Doutrina Social da Igreja, com particular atenção às políticas em favor da vida e do trabalho.

“É um ponto muito a reter, tanto mais que, entre nós, a verdadeira questão, que é a do apoio que, enquanto sociedade, devemos certamente dar à vida em gestação, tem sido repetidamente sonegada”, escreve D. Manuel Clemente, numa carta que enviou aos diocesanos no início do novo ano pastoral.

O também presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) recorda que se vão viver nos próximos meses “momentos eleitorais importantes (legislativo e presidencial)” e, nesse sentido, apela a cumprir o “dever cívico” de votar, “com a inspiração evangélica e a doutrina social que dela decorre, na legítima pluralidade das opções”.

A missiva lamenta que o objetivo da “proteção da vida desde o seu começo” seja “mais contrariado do que promovido”.

“O ser humano, se lho permitirmos e apoiarmos, nasce, cresce e realiza-se pelo trabalho, interagindo assim com a natureza e a cultura. Daí que a promoção do trabalho coincida com a promoção do ser humano, ainda mais do que a simples garantia da respetiva sobrevivência”, acrescenta D. Manuel Clemente.

O cardeal-patriarca de Lisboa recorda que o magistério social do Papa Francisco tem sido “apreciado por vários protagonistas e forças políticas”, convidando todos a ter presentes algumas das suas indicações, a partir da recente encíclica ‘Laudato si’.

“Nela, o Papa propõe uma ‘ecologia integral’, em que se inclua a totalidade da criação, do ambiente natural ao ser humano e às suas relações em geral. É esta mesma integralidade que devemos ter presente em cada escolha concreta”, propõe.

Segundo o presidente da CEP, o descuido de tal integralidade, “por qualquer desvio tecnocrático, economicista ou meramente egoísta e gastador”, é a “causa maior de muitos dos problemas” atuais.

Para este responsável, é fundamental que se rejeite “qualquer egoísmo de base ou de projeto”.

“Uma opção ‘cristã” é necessariamente solidária, com consequências para o que temos ou possamos vir a ter”, explica.

O patriarca de Lisboa espera que os católicos façam opções à luz dos princípios “permanentes” da Doutrina Social da Igreja, ou seja, “dignidade da pessoa humana, bem comum, subsidiariedade e solidariedade”, com consequências “para a família, a educação, o trabalho, a economia, a política ou a cultura”.

CR/Ecclesia