Elementos da Irmandade do Senhor Santo Cristo e populares fieis manifestaram-se silenciosamente esta manhã contra a participação do resplendor do Senhor Santo Cristo na Exposição “Esplendor e Glória” do Museu Nacional de Arte Antiga.

Realizou-se esta manhã, em Ponta Delgada, um cordão humano que juntou os elementos da Irmandade do Senhor Santo Cristo dos Milagres e algumas centenas de devotos do culto, que silenciosamente se manifestaram contra a saída do Resplendor do Senhor Santo Cristo, autorizada pela Diocese de Angra, alegando que se trata de “um património intocável”.

 

A presença da joia na exposição “Esplendor e Glória”, entre julho e dezembro, no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, foi permitida pela diocese açoriana, que garante que estão reunidas as condições para a presença do Resplendor nesta exposição que será constituída por mais quatro peças de joalharia portuguesa do período barroco entre 1756 e 1780- a Custódia da Sé Patriarcal de Lisboa, a Custódia do paço da Bemposta, a Venere das Cinco ordens de D. João V e o Resplendor do Senhor dos Passos da Graça.

 

Contudo, a Irmandade do Senhor Santo Cristo e centenas de fiéis opõem-se à decisão, estando inclusive a circular uma petição ‘on line’, dirigida ao bispo de Angra, D. António de Sousa Braga, que contava hoje com 1.534 assinaturas.

 

Junto ao Santuário da Esperança, em Ponta Delgada, onde está a imagem do Santo Cristo e onde decorrem anualmente as celebrações religiosas, foi organizado hoje um cordão humano para que o Resplendor não abandone a ilha de São Miguel.

 

“Não concordo que saiam daqui as joias que pertencem ao Senhor Santo Cristo”, afirmou aos jornalistas Cidália Brandão, quando se preparava para integrar o cordão humano.

 

Cidália Brandão vincou que as joias do Senhor Santo Cristo “foram oferecidas pelo povo açoriano” em “representação de muitas lágrimas, muitos sacrifícios e orações e muita penitência dos açorianos”.

 

Também o Pe Pedro Maria, coadjutor da Igreja Matriz de São Sebastião, em Ponta Delgada,  manifestou a sua “total oposição” à “saída de uma peça que não é de uma pessoa, é de um povo”.

 

“Isto é uma peça que está ao culto. Isto é uma peça que é nossa. É uma peça que foi feita com aquilo que é nosso”, sublinhou, frisando que a joia acaba por transmitir “a vida de muitas pessoas”.

 

O provedor da Irmandade do Senhor Santo Cristo dos Milagres, Carlos Faria e Maia, explicou que se trata de “uma manifestação silenciosa sem guerrilhas”.

 

“Só vamos orar. É só uma manifestação de descontentamento pela eventual saída do Resplendor do Santo Cristo que é um peso da nossa fé incalculável e que não tem sentido nenhum sair daqui”, sustentou.

 

O provedor sublinhou que a Irmandade “não está em guerra” com o bispo, mas “mantém a sua posição” contra a saída do Resplendor, alegando que não estão reunidas as “condições de segurança” para a ida da peça para Lisboa.

 

Como contrapartidas da cedência temporária da peça, a Comissão Diocesana dos Bens Culturais da Igreja anunciou, no inicio desta semana em comunicado,  que “será realizada a sua avaliação técnica” e um “estudo científico por especialistas da área” e “executada uma limpeza por técnicos credenciados do Laboratório José de Figueiredo”, medida “urgente e imprescindível à conservação” da joia.