Governo regional, que detém a quase totalidade do quotidiano, vai privatizar a publicação

A Diocese do Funchal anunciou hoje em comunicado que vai abandonar a sua participação na empresa ‘Jornal da Madeira’, face à decisão do Governo Regional em privatizar o quotidiano.

“A fidelidade aos valores que norteiam a Diocese não se compatibiliza com um projeto necessariamente comercial que resultará da privatização”, assinala uma nota enviada hoje à Agência ECCLESIA, assinada pelo vigário-geral, cónego José Fiel de Sousa.

O jornal é atualmente detido na quase totalidade (99,98%), pelo Governo Regional da Madeira.

A Diocese do Funchal “acompanha a intenção de privatização” da quota que a Região Autónoma da Madeira tem na empresa que edita o Jornal da Madeira, assumindo a existência de “encargos muito significativos, incomportáveis numa época de especiais exigências financeiras e de relevantes carências sociais”.

O apoio da Igreja madeirense a essa decisão comporta um “processo transitório” de cooperação e de concertação nesse objetivo.

O comunicado oficial recorda que “desde 1932 que a Diocese do Funchal considerou importante a existência de um órgão de comunicação social escrito, fiel aos princípios e valores da Igreja católica”.

“O Jornal da Madeira foi ao longo dos anos resultado do empenho e do esforço de muitos católicos madeirenses e os sucessivos bispos da Madeira, com a colaboração da comunidade em geral, tentaram de diversas formas assegurar a sua existência”, acrescenta a nota.

Nesse sentido, foi constituída há cerca de trinta anos uma sociedade comercial mista “com uma forte participação pública regional” que garantiu a edição do jornal, “com um conjunto de princípios editoriais fieis aos valores da Igreja Católica” e que assegurou um espaço escrito de difusão e informação da Diocese do Funchal.

O cónego José Fiel de Sousa precisa que “face ao regime jurídico existente”, a privatização de parte da empresa ‘Jornal da Madeira, Lda’ implica “a reformulação dos princípios editoriais e do projeto”, que assumirá um “perfil concorrencial e comercial”.

“A Diocese não se sente vocacionada nem tem condições para assumir, na sua totalidade, uma empresa com os encargos da Empresa Jornal da Madeira”, precisa, acrescentando que “a alienação da propriedade da empresa deve propiciar ao futuro adquirente a liberdade editorial”.

Neste sentido, a participação diocesana naquela empresa vai terminar até final de maio de 2016, com a cedência da sua quota ao sócio maioritário, “desonerando das condições acordadas na década de oitenta”.

A Diocese do Funchal adianta, em seguida, que vai equacionar “uma forma mais adequada” de concretizar o “propósito de manter um projeto de comunicação social na Madeira, fiel aos valores da Igreja e difusor da mensagem evangélica”, e reservando para si “o título original de Jornal da Madeira e do suplemento semanal Pedras Vivas”.

CR/Ecclesia