Obra interpreta retábulo da Igreja de São José, na Ribeira Chã, em São Miguel a partir de textos do Pe Luís Leal e fotografia de Fernando Resendes

Explicar o retábulo da Igreja de São José, na Ribeira Chã, em Ponta Delgada, da autoria do Pintor Tomaz Borba Vieira e interpretar a partir dele a história da salvação é o principal objetivo do livro “Mosaicos de Fé” que foi lançado esta sexta feira.

A obra, uma iniciativa conjunta do Pe Luís Leal, Diretor do Serviço Nacional de Acólitos e do fotógrafo açoriano Fernando Resendes, irmãos romeiros do Rancho da Paróquia de São José, é o primeiro contributo escrito para a interpretação deste trabalho.

“Na primeira vez que subi, em Romaria Quaresmal, à freguesia da Ribeira Chã e entrei na igreja, deparei-me com um retábulo que me chamou a atenção pela sua beleza e pela sua expressão iconográfica da história da salvação” refere o autor que ficou surpreendido sobretudo pelo facto de numa igreja dedicada a São José, ele aparecer segurando um cesto com duas rolas brancas ao lado de Maria que segura o menino, em jeito de apresentação.

“Quando vi isto apercebi-me que tinha ali elementos para fazer uma catequese aos irmãos romeiros e daí a este livro foram conversas sucessivas até chegarmos aqui”, disse ao Sítio Igreja Açores o Pe Luís Leal.

“O nosso desejo é que o leitor consiga ter uma melhor leitura do retábulo e que este o ajude à oração e contemplação”, diz ainda na nota de autor que tem no livro.

Fernando Resendes, autor das fotografias, em declarações ao Sítio Igreja Açores lembra que esta obra tem um código próprio que “procurei interpretar de acordo com o meu código” e o trabalho que resulta daqui acaba por ser “um outro código que convida o espetador a ver de outra maneira este retábulo”.

O retábulo de Tomaz Borba Vieira, com 147 m2, foi concluído em 1966, em ano de “plena reforma litúrgica” implementada pelo Concílio Vaticano II.

Facto que é sublinhado pela Nota do Vigário Geral da Diocese, Cónego Hélder Fonseca Mendes.

O Cónego Hélder Fonseca Mendes, que esteve presente na apresentação do livro esta sexta feira, destaca na nota de abertura da publicação, o facto da Igreja da Terra Chã ser uma das poucas construções da época conciliar nos Açores, juntamente com as Igrejas de Nossa Senhora da Alegria, nas Furnas, a Capela do santo Cristo no Seminário Colégio de Ponta Delgada, as três em São Miguel ou as igrejas do Imaculado Coração de Maria nos Biscoitos, na ilha Terceira e de Santa Bárbara das Ribeiras, no Pico.

Segundo Hélder Fonseca Mendes a Ribeira Chã “constitui uma exceção na arte contemporânea no interior de uma igreja açoriana” o que “se deve à linguagem de Tomaz Borba Vieira e ao empenho do pe Caetano Flores, não só num trabalho básico e funcional, mas artístico que nos remete para outros significados” que muitas vezes, “por estamos habituados não damos por eles”.

Outro dos intervenientes nesta sessão de apresentação do livro, o Pe João Furtado, pároco da Ribeira Chã, que também escreve no livro, agradeceu o contributo desta reflexão “para interiorizar um pouco mais a riqueza e beleza” das imagens deste retábulo que além de ser uma obra de arte “é uma obra que envolve a comunidade cristã” estando “bem patente toda a história da salvação do povo de Deus”.

O autor do retábulo, Tomaz Borba Vieira lembrou o processo de criação que depois de uma fase mais individual passou a ser quase “uma obra coletiva” na qual participaram artistas populares da freguesia, gerando uma “interação artística que começou com a discussão de ideias e progrediu através da manipulação de materiais na execução do mural do mosaico”.

Do lado dos autores, ficou a expressão de que se trata “apenas de um contributo” para ler este retábulo e sobretudo, vê-lo com “os olhos da fé”.

O pe Luís Leal é pároco na Ameixoeira, em Lisboa, diocese a que pertence. É um apaixonado pelos Açores, onde tem “irmãos de alma” e  a onde vem com regularidade, até porque é contra mestre do Rancho de Romeiros da Paróquia de São José, em Ponta Delgada.