Por Tomaz Dentinho

A influência da educação na economia do ambiente é o tema que me pedem para tratar no dia 17 de Março na XIII Semana de Ciência da Escola Básica Integrada de Angra do Heroísmo; uma realização que conta mais de cinquenta comunicações de docentes e investigadores do ensino básico, secundário e universitário.

É sem dúvida um bom desafio para refletir sobre “educação para a vida com os outros e o meio envolvente” ou, dito de outro modo, educação na economia do ambiente. Parafraseando Ortega e Gasset a questão é saber como educar para salvar as pessoas e a sua circunstância?

O argumento que pretendo defender é que a educação que salva as pessoas e a sua circunstância é a que mobiliza a inteligência, que é alma e o entendimento libertador. O mote vem-me do Evangelho de São Marcos 12, 28b-34, “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças”; o escriba percebe reafirmando que o primeiro mandamento é “Amá-l’O com todo o coração, com toda a inteligência e com todas as forças”; e Jesus volta a dizer “Não estás longe do reino de Deus”. Comparando as duas frases do primeiro mandamento percebemos que inteligência – dita pelo escriba – é alma e entendimento que nos liberta para o Reino de Deus – no testemunho de Jesus. Ou seja a educação deve mobilizar a alma e o entendimento para que os sentimentos do coração deem sentido à força do gesto.

O conceito comum de educação – ou aprendizagem de conhecimento, competências, valores, crenças e hábitos que passam de uma geração para outra – é um pouco mais restrito que a perspectiva do Evangelho pois evita o papel das emoções do coração e do entendimento da alma no processo educativo que conduz ao amor a Deus e ao próximo. A parcialidade da visão comum é mais visível quando introduzimos o conceito de educação ambiental que se refere à transmissão, dos cientistas para as restantes pessoas, de como devem relacionar-se com o meio ambiente de formas sustentável, através da proteção do meio ambiente, da erradicação da pobreza da minimização das desigualdades e da garantia do desenvolvimento sustentável.

Em que ficamos então? Precisamos do coração e da alma para que, em conjunto com o conhecimento, as competências, os valores, crenças e hábitos nos possamos salvar a nós e ao meio ambiente? Ou podemos prescindir desse coração e dessa alma que nos dá liberdade e basta-nos transmitir e obedecer às leis que os cientistas sugerem com o seu conhecimento?

O drama da visão parcializada do Evangelho é pensar que basta o coração e a alma. Ou seja que os sentimentos que temos face aos outros e ao meio ambiente se entendem imediatamente na alma e se completam em gesto de amor ao próximo e de contemplação do mundo.

A tragédia da visão enviesada da ciência é julgar que consegue resolver os problemas identificados por diagnósticos acéticos com regras de comportamento restritivas. Por um lado criam-se regras totalitárias com fiscais sem rosto e sem gesto. Por outro lado formam-se exércitos de difusores de ciência parcial e leis que abordam os problemas com a restrição da liberdade de pensar e de agir. E paradoxalmente esses problemas não se resolvem, apenas se aumentando os casos de corrupção entre agentes e fiscais. Falta-lhes perceber que os problemas são para crescer connosco mas que a abordagem com o coração e a alma, com o querer crer perdoando e confiando no coração e na alma dos outros, conseguem manifestamente criar e manter um mundo melhor. Vê-se e cria-se o paraíso por entre os escombros. Vê-mo – nos e criamo-nos com Nosso Senhor por meio dos outros. É isto que falta transmitir na educação e também na educação ambiental.

Tomaz Dentinho