Por Renato Moura

Ensinaram-se durante gerações as virtudes do desporto e a sua contribuição para a aquisição de princípios e valores: lealdade, honestidade, respeito pelos outros, sinceridade, limpidez cívica nas atitudes. Transmitiram-se códigos de conduta: correcção na disputa, respeito pelas regras e decisões dos árbitros, serenidade na derrota e modéstia na vitória.

Creio não haver alguém com coragem para afirmar que o desporto deve deixar de ser visto como instrumento para a promoção de valores. Porém as afirmações teóricas e as práticas ditas desportivas aparecem frequentemente distanciadas. Porventura menos no desporto amador, mas muito no desporto profissional, sobretudo no de alta competição.

Aquilo a que se assiste, se não pessoalmente, mas abundantemente através da televisão, no futebol profissional, o dito desporto rei, cada vez apresenta menos de nobreza ou realeza. O futebol é arte e espectáculo, mesmo se alguns não o apreciam e se há treinadores a valorizar mais o resultado e pouco a exibição. A profissionalização do desporto e em especial do futebol, fez desaparecer, nalgumas terras pequenas, o interesse e a viabilidade do desporto amador e isso impede, aos menos dotados, o acesso à prática desportiva.

Quanto se tem visto, em muitos dos jogos da 1.ª Liga de Futebol, ou a propósito deles, por parte de alguns treinadores, é deplorável: não aceitação das derrotas; tentativas incongruentes de explicação dos insucessos; contestação a árbitros; falta de respeito a jornalistas; boicote a conferências de imprensa; ofensa a colegas de profissão; frequentes expulsões por horríveis comportamentos. Quanto se observa de certos dirigentes e outros responsáveis, é também lamentável: desatino permanente nos bancos de suplentes; perda de controlo emocional nos jogos e fora deles; necessidade de serem agarrados para tentar suster-lhes a fúria; alusão a teorias de conspiração geradoras da revolta dos jogadores e adeptos; recusa de reconhecimento da realidade concreta própria ou de outros agentes.

Com facilidade se aplicam e se revertem castigos. Não se sabe se alguém, ou quem, manda no futebol profissional!

Os maus comportamentos de dirigentes e treinadores, para além de péssimo exemplo: pervertem a paixão; sujam a reputação; mancham a dignidade; aviltam a honra; maculam a conduta desportiva.

É urgente, por parte de pais e professores, uma clarificação capaz de evitar a queda dos jovens na alienação; e uma educação formando-os para a promoção do respeito e o zelo pelos sãos valores desportivos e cívicos.