Cónego Adriano Borges dirige carta ao clero de São Miguel e de Santa Maria pelo trabalho desenvolvido

O cónego Adriano Borges, ex Vigário Episcopal para a Vigararia Nascente acaba de enviar uma carta ao clero das duas ilhas- São Miguel e Santa Maria- na qual agradece o trabalho de cooperação de todos e alerta para a necessidade de manter a “serenidade e a união” neste “tempo de transição”, em que a diocese aguarda pela saída do anterior bispo e a nomeação do novo bispo de Angra.

“Mantenhamo-nos serenos e unidos como Presbitério para darmos testemunho de uma Igreja de comunhão, embora fustigada por feridas e fraquezas, mas que deseja caminhar para a santidade” afirma o cónego Adriano Borges, nomeado pelo anterior bispo de Angra Vigário Episcopal e que, com a saída do bispo, cessa funções.

“Vivemos um tempo de transições e esta é mais uma delas. Deve ser encarada como algo de normal no mundo católico, apesar da história recente da nossa Diocese nos dizer o contrário, visto que os Bispos ficavam até à sua resignação” ressalva o sacerdote que é reitor do Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres.

A carta, dirigida em nome próprio aos colegas presbíteros, não deixa de referir o trabalho desenvolvido, deixando um agradecimento a todos.

“Quero crer que o trabalho destes anos, sobretudo a oportunidade de nos debruçarmos sobre a nossa realidade como Diocese (Caminhada Sinodal) terá continuidade e os frutos aparecerão”, afirma o sacerdote.

“Na nossa Vigararia penso que se iniciou um trabalho proveitoso, sobretudo uma maior coordenação da vida pastoral através dos encontros regulares com os Ouvidores e dos encontros de coordenação das atividades dos Movimentos de forma mais concertada” sublinha, destacando a procura sistemática da comunhão, da reflexão e da partilha que “não fora a pandemia” mais “poderia ter sido feito”. O cónego Adriano Borges justifica, aliás, algumas medidas mais restritivas que sugeriu e que nem sempre mereceram o apoio de todos, nomeadamente ao nível da participação dos fieis no culto, com o facto da ilha de São Miguel ter sido a mais afetada o que o levou a tomar decisões que tivessem “uma linha de ação preventiva e de respeito com a saúde pública, tentando seguir as orientações da Autoridade responsável desta área, bem como as dimanações da CEP e da nossa Diocese”. Recorde-se a este propósito que a Igreja que lidera- o Santuário do Senhor Santo Cristo- viu-se privada da realização da sua festa anual, durante dois anos consecutivos, o que aconteceu pela primeira vez na história deste culto.

Sobre o episcopado do 39º bispo de Angra, D. João Lavrador, afirma que “é muito cedo para fazermos uma avaliação do trabalho pastoral desta última meia dúzia de anos em que Dom João foi o nosso Pastor”.

“Para uma avaliação profunda e honesta, requer-se tempo e distância. O nosso mundo hoje baseia as suas avaliações em resultados imediatos, com o cumprimento de objetivos a curto prazo. Na Igreja nunca foi assim (“uns semeiam, outros colhem”)” salienta deixando votos de “felicidades no governo da sua nova Diocese”.

“Quanto a nós, rezemos nas nossas comunidades ao Espírito Santo para que nos envie um novo Pastor segundo o coração de Deus, enquanto aguardamos em jubilosa esperança”, acrescenta.

“O meu muito obrigado pela confiança que depositaram em mim. Agradeço a todos os que colaboraram com maior proximidade, leigos e padres. Uma palavra de muito apreço a todos os Ouvidores por todo o trabalho que fazem e que, infelizmente, é bastas vezes desvalorizado”, termina a carta enviada ao Igreja Açores.

A carta termina com uma orientação prática lembrando que as celebrações que estavam agendadas para a Ilha de S. Miguel, nomeadamente os Crismas, se mantém, por delegação do administrador diocesano.

Recorde-se que no próprio dia em que se conheceu a saída do bispo de Angra para Viana do Castelo, na passada terça-feira, o Vigário Geral, também ele Vigário Episcopal para a Vigararia do Centro, cónego Hélder Fonseca Mendes, na qualidade de moderador da Cúria enviou uma missiva a todo o clero dando a conhecer alguns aspectos práticos do governo diocesano e deixando uma palavra mais pessoal de agradecimento pelos 16 anos como Vigário Geral da diocese de Angra.