Papa viveu dia de festa num encontro com 7 mil crianças

O Papa Francisco encontrou-se hoje no Vaticano com 7 mil crianças no Vaticano, numa iniciativa da ‘Fábrica da Paz’, e disse que a sociedade deve apostar na reinserção, em vez da prisão de menores.

“A solução da cadeia é a mais cómoda para esquecer aqueles que sofrem”, sublinhou, em resposta a uma das 13 perguntas que lhe foram colocadas por alguns dos participantes, na sala Paulo VI.

Questionado sobre os centros de detenção para os mais novos, Francisco foi claro: “Não, não estou de acordo”.

Segundo o Papa, o papel da sociedade passa por ajudar cada jovem a “voltar a levantar-se, a reinserir-se, com a educação, com o amor, com a proximidade”.

A intervenção espontânea questionou ainda a “indústria da morte” que está ligada aos conflitos militares, consequência de um mundo em que “tudo anda em volta do dinheiro, não da pessoa”.

“Porque é que tantas pessoas poderosas não querem a paz? Porque vivem da guerra, da indústria das armas. Isto é grave”, alertou.

Após vários momentos de música e representações teatrais, o encontro com o Papa levou um grupo de crianças para mais perto de Francisco, que ouviu questões de um menino em cadeira de rodas sobre o sentido do sofrimento.

“Não gosto de dizer que uma criança é deficiente, não, esta criança tem uma capacidade diferente”, começou por dizer, sublinhando que “todos têm a capacidade de dar alguma coisa”.

Neste sentido, citou o escrito russo Fiódor Dostoiévski e a sua questão sobre o sofrimento das crianças, sustentando que “não há resposta” e que é necessário “ajudar” aqueles que sofrem com uma presença muito próxima.

Francisco falou ainda do perdão e da importância de “não ficar caído” após um erro, pedindo “respeito” por quem aqueles que possam ser menos simpáticos.

“O que tira a paz é não gostar uns dos outros”, observou.

O Papa foi nomeado “operário especial” da Fábrica da Paz, um projeto inter-religioso nas escolas italianas.

“Onde não há justiça, não pode haver paz”, sublinhou, convidando as crianças a repetir, várias vezes, esta frase.

“Trabalhai pela paz, sim?”, foi o pedido final do pontífice argentino.

CR/Ecclesia