Por Renato Moura

Há ilhas a perder população, a um ritmo preocupante. O desenvolvimento não se está a operar em termos de fixar adultos e aliciar jovens; e as assimetrias estão por corrigir. Passou ao esquecimento a antiga esperança de um desenvolvimento harmónico das ilhas.

Se os poderes regionais, supostamente conhecedores das realidades das parcelas, dotados de autonomia para aproveitar potencialidades e resolver problemas, não o fazem por não saber, não poder ou não querer, restaria ao poder local tomar em mãos as responsabilidades: de fazer em tudo quanto estivesse ao seu alcance; de reivindicar em tudo quanto pertença a outros poderes.

Inaceitável que o povo se deixe “tosquiar deitado”, pois pode ser-se ordeiro e tomar em mãos o dever – que é mais do que o direito – de criticar, de exigir com firmeza e persistência. Depois, nas oportunidades que a democracia garante, há que assumir a penalização eleitoral perante quem não age e sobretudo perante quem não quer ver.

Qualquer cego é capaz de “ver” que, sobretudo nas ilhas menos populosas, o turismo assume uma importância decisiva para a economia, também a simples vinda de pessoas em serviço, mas sobretudo a realização de eventos que tragam grupos. A contribuição para a economia local, quando os eventos se realizam na época baixa do turismo, é um privilégio para o combate à sazonalidade. Isso aconselharia que o Governo Regional não realizasse as visitas estatutárias às ilhas durante o Verão.

Acabou de se realizar nas Flores a primeira edição do Extreme West Atlantic Trail, um evento da marca Azores Trail Run, uma competição desportiva de nível elevado, que trouxe cerca de uma centena de atletas de todo o país. De registar a realização fora da época alta, a particularidade de chegar às periferias (já se realizou em Santa Maria) e o reconhecimento do potencial dos trilhos das Flores para acolher uma prova com elevado nível de exigência e competitividade.

O Governo, mas principalmente as autarquias, deveriam esforçar-se na captação de eventos, principalmente para as chamadas ilhas pequenas. Pelo menos, quando eles ocorrem fruto de outra iniciativa, tinham não só de facultar todas as facilidades, mas especialmente promover os potenciais locais, também oferecer um programado acolhimento e cuidado conjunto de simpatias. Não foi e frequentemente não é assim!

Estes visitantes não votam, mas as autarquias têm de perceber que serão nossos embaixadores em toda a parte. O que com eles se despender, para bem receber, não é um gasto, mas um investimento no futuro.