Domingo de Ramos inicia percurso mais importante do calendário católico

A Igreja Católica inicia hoje, com o Domingo de Ramos, a celebração da Semana Santa, os momentos centrais do ano litúrgico que, nas igrejas e nas ruas, recordam os momentos da Paixão, morte e Ressurreição de Jesus.

Em declarações ao Igreja Açores, que pode ouvir na íntegra este domingo, depois do meio dia, no Rádio Clube de Angra e na Antena 1 Açores, o bispo D. João Lavrador desafio todos os diocesanos a aproveitar esta semana para “saírem de si mesmos, partindo ao encontro dos outros para lhes lembrar que a vida de sofrimento não é definitiva é apenas uma passagem para uma vida mais plena e renovada em Cristo”.

“Na Semana Santa celebramos o grande mistério da entrega de Jesus Cristo, na sua condenação e morte e depois celebramo-lo na Ressurreição e é para a celebração deste momento que nos devemos preparar” pois na Páscoa “mergulham os anseios de uma vida diferente, em que o sentido pleno da nossa existência é concretizado e por isso todos os nossos sonhos veem agora um resultado”, afirmou ainda D. João Lavrador.

“Esta semana convida-nos particularmente à preparação para o grande anúncio, sermos testemunhas de uma vida nova e renovada perante os sinais de morte que atravessam tantas vidas” afirma o prelado diocesano que inicia a Semana santa em Ponta Delgada, na Missa das 12h00, na Matriz de São Sebastião.

A celebração dos últimos dias da vida de Cristo começa pela evocação da sua entrada messiânica em Jerusalém e a bênção dos ramos.

No início da vida cristã encontra-se o Domingo como única festa, com a única denominação de “Dia do Senhor”; por influência das comunidades cristãs provenientes do judaísmo, surgiu depois um “grande Domingo”, como celebração anual da Páscoa.

A partir do séc. IV, com os decretos que garantiam a liberdade de culto aos cristãos, começaram a celebrar-se na Terra Santa os acontecimentos da Paixão e morte de Jesus Cristo, nos locais e às horas em que eram relatados nos Evangelhos.

Na Idade Média, esta semana era chamada a “semana dolorosa”, porque a Paixão de Cristo era dramatizada pelo povo, pondo em destaque os aspectos do sofrimento e da paixão; muitas igrejas locais dão ainda vida a essa tradição dramática, que se desenrola em procissões e representações dos momentos da prisão, julgamento e crucifixão de Jesus Cristo.

Os momentos centrais da Semana Santa começam na quinta-feira, dia em que se celebram a Missa Crismal e a Missa da Ceia do Senhor.

Antigamente, na manhã deste dia celebrava-se o rito da reconciliação dos penitentes, a quem tinha sido imposto o cilício em Quarta-feira de Cinzas.

A manhã é preenchida pela Missa Crismal, que reúne em torno do bispo o clero da Diocese, na qual são abençoados os óleos dos catecúmenos e dos enfermos e consagrado o santo óleo do crisma. Nos Açores, como noutras dioceses, há a antecipação desta celebração de forma a que os párocos possam regressar às suas paróquias a tempo de presidir às festas do Tríduo Pascal. Assim, na segunda feira, em Ponta Delgada o bispo de Angra  presidirá à missa onde os sacerdotes de São Miguel e de Santa Maria são convidados a renovar as suas promessas sacerdotais, momento que será repetido na Horta, no dia seguinte com os padres diocesanos do Faial, do Pico, das Flores e do Corvo. Na quarta-feira será celebrada a Missa Crismal na Sé de Angra, com a renovação das promessas sacerdotais do clero da terceira, de São Jorge da Graciosa.

Na quinta-feira, com a Missa vespertina da Ceia do Senhor tem início o Tríduo Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor: é comemorada a instituição dos Sacramentos da Eucaristia e da Ordem e o mandamento do Amor (o gesto do lava-pés).

No final da Missa, o Santíssimo Sacramento é trasladado para um outro local, desnudando-se então os altares.

Na Sexta-feira Santa não se celebra a Missa, tendo lugar a celebração da morte do Senhor, com a adoração da cruz; o silêncio, o jejum e a oração marcam este dia.

O Sábado Santo é dia alitúrgico: a Igreja debruça-se, no silêncio e na meditação, sobre o sepulcro do Senhor e a única celebração primitiva parece ter sido o jejum.

A Vigília Pascal é a “mãe de todas as celebrações” da Igreja, evocando a Ressurreição de Cristo.

Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a bênção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a série de leituras sobre a História da Salvação; a renovação das promessas do Batismo, por fim, a liturgia Eucarística.

O bispo de Angra presidirá a todas estas celebrações na Catedral açoriana.

(Com Ecclesia)