Dois conventos e uma igreja aguardam projetos “urgentes” de intervenção

As Igrejas paroquiais da diocese de Angra estão “em bom estado de conservação”, embora existam três templos –Convento das Concepcionistas (Nossa Senhora da Conceição) e Igreja de Nossa Senhora do Livramento, em Angra do Heroísmo e o Convento do Carmo, na Horta- a necessitarem “urgentemente” de obras de recuperação.

“Não temos igrejas paroquiais abandonadas e, em regra, estão todas bem conservadas” disse ao Sítio Igreja Açores o Porta Voz da Diocese de Angra, Cónego Hélder Fonseca Mendes, lembrando no entanto, que há “mais duas- Manadas em São Jorge e Colégio, em Angra, que embora estejam com problemas” já estão sinalizadas “e com os projetos de recuperação em marcha na Direção Regional da Cultura”.

De resto, a Igreja das Manadas, é uma das “maiores preciosidades” não só de São Jorge mas da Diocese, lembra o sacerdote que tem acompanhado de perto muitas das recuperações feitas.

“De um modo geral podemos dizer que as igrejas paroquiais estão bem depois de uma fase de algumas dificuldades, em que muitas se apresentavam degradadas mas há que reconhecer o esforço que todos têm feito, sobretudo as comunidades paroquiais, para recuperarem os seus espaços de culto”, diz ainda o Porta Voz que é também Vigário geral da Diocese.

“Neste momento estamos particularmente sensibilizados para a necessidade de recuperação da Igreja do Convento do Carmo na Horta” que é a única igreja de presença conventual carmelita, que “tem uma dimensão monumental, está abandonada e é um edifício espantoso”.

A Igreja do Carmo é o segundo maior templo na cidade da Horta, na ilha do Faial e “ é um dos principais elementos congregadores da comunidade local”, acrescenta o ouvidor, Pe Marco Luciano, que acaba de ser nomeado Reitor do Convento do Carmo.

O edifício foi parcialmente recuperado com uma intervenção de fundo na Capela da Ordem Terceira, que foi reaberta ao Culto e reúne centenas de pessoas quer durante os serviços religiosos quer durante as festas em honra de Nossa Senhora do Carmo.

“Valeu a pena o esforço que fizemos para recuperar este espaço porque acabámos por devolver uma dignidade e uma limpeza a este sitio que há muito já não se via”, acrescenta o sacerdote que deixa o alerta, “sobretudo ao Governo Regional” para que em articulação com a Diocese e com outras entidades públicas, como o Município, ali “possa desenvolver um trabalho sério de recuperação do edifício”.

“O Faial não tem Santuários e se há templo congregador de fieis é justamente este por causa da devoção a Nossa Senhora do Carmo” e, por isso “está na hora de se investir aqui”, conclui o Pe Marco Luciano.

É de resto, no Faial, que existirá dentro de 10 anos o maior número de igrejas novas na diocese. Além das já recuperadas, com grandes intervenções, há quatro novas igrejas projetadas. A primeira – Igreja dos Flamengos- estará concluída no final deste ano. Seguir-se-á a de Pedro Miguel, Salão e Ribeirinha, todas elas destruídas pelo sismo que ocorreu em 1998 e que danificou a maior parte das igrejas das ilhas do Faial e do Pico. Na ilha montanha foi construída de raíz a Igreja da Almagreira, na Silveira, concelho das Lajes.

Refira-se que, ao contrário do que tem acontecido noutras dioceses do país, especialmente em Lisboa, a maior parte dos novos templos não se deve nem ao crescimento nem ao aparecimento de novas comunidades paroquiais, mas à necessidade de fazer frente aos danos provocados pelo tempo e pela natureza.

À excepção de duas construções- as igrejas de São Carlos, em Angra do Heroísmo e Nossa Senhora de Fátima, em Ponta Delgada- que não existiam antes e surgiram na sequência de duas novas realidades paroquiais, o curato de São Carlos, na Terceira e a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, no Lajedo, em São Miguel.

Nos últimos 20 anos, segundo o Jornal Sol,  foram construídos em Portugal pelo menos 150 igrejas, metade das quais na diocese de Lisboa. A maioria também surgiu para substituir edifícios antigos ou para albergar comunidades que foram crescendo na periferia das cidades, ao mesmo tempo que as igrejas dos centros históricos se esvaziaram de gente.

Contas feitas, no topo da lista vem o Patriarcado de Lisboa, com quase 70 construções novas, de todos os estilos e feitios, em especial na zonas limítrofes da cidade. No centro da capital, deu-se o fenómeno inverso: as paróquias da Baixa agruparam-se em unidades pastorais e o modelo ‘um padre, uma paróquia’ há muito que deixou de existir.

Aveiro e Guarda registam menos de uma dezena de novas igrejas. Braga, a diocese do País com maior tradição religiosa, viu nascer seis novas construções em 20 anos, ao mesmo tempo que restaurou 131. Também na zona Norte, na diocese de Lamego, foram construídas três igrejas, mas a redução da população obrigou a seguir o caminho inverso e a necessidade de extinguir paróquias é agora cada vez mais premente. Setúbal é a única diocese em contra-ciclo: em 40 anos viu nascer 24 novas igrejas, 15 das quais novas comunidades paroquiais.

Na Diocese de Angra registou-se ainda a construção de uma nova igreja de raíz, que é paroquial. A Igreja de Santa Luzia, em Angra do Heroísmo, é um dos templos mais arrojados do ponto de vista arquitetónico no contexto das igrejas açorianas, tal como a de Nossa Senhora de Fátima, em Ponta Delgada, que constituem projetos com uma linha muito contemporânea. Também em Santa Maria a Capela do Aeroporto foi reconstruída devido a um incêndio. Quase todas as igrejas sofreram grandes obras de conservação, obrigando muitas vezes à transferência dos serviços religiosos para outros lugares.

A Comissão Diocesana dos Bens Culturais da Igreja foi sempre consultada e acompanhou de perto as grandes intervenções feitas de Santa Maria ao Corvo, com um “grande envolvimento das comunidades”, lembra o Porta Voz que não deixa de sublinhar “o esforço” que para muitas delas representou estas intervenções.

“Veja-se o caso das Flores, onde uma comunidade com pouco mais de três mil pessoas conseguiu reunir fundos para intervir em 12 igrejas, algumas delas muito grandes”, sublinha o Cónego Hélder Fonseca Mendes.

Nestas obras há sempre “uma natural” tensão, embora “tivesse sido ultrapassada pelo bom senso”, conclui o sacerdote, colocando a tónica nas questões financeiras- se há mais ou menos dinheiro-; se o financiamento é publico ou paroquial e divergência ao nível da disposição de interiores. “Mas acabou tudo sempre de forma pacífica”, remata o Cónego Hélder Fonseca Mendes.